Diretor da Abramilho pede empenho do setor para conter avanço de cigarrinha
Segundo Glauber Silveira, praga, que passou despercebida até 2015, hoje é prioridade
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Brasil criou grupo de trabalho do milho para debater medidas e frear cigarrinha. (foto - Abramilho)
Em artigo publicado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho, o diretor executivo, Glauber Silveira aborda a presença da cigarrinha do milho nas lavouras do País e quais os desafios do setor para impedir sua manifestação, evitando prejuízos ao setor.
“A cigarrinha do milho é uma praga comum as lavouras brasileiras, mas durante muitos anos passou despercebida”, diz o texto, seguido de um alerta: “Porém, nestes últimos anos, ela mobilizou entidades, empresas, governo e pesquisas devido ao prejuízo inestimável na produção brasileira”.
Na análise de Silveira, é fundamental que toda a cadeia do milho esteja unida e mobilizada para impedir que a praga avance nas plantações.
“Nos últimos anos, diversas entidades do setor fizeram recomendações básicas para o seu controle, sendo algumas das mais importantes evitar a ponte verde — ou seja, plantar milho em diferentes estágios do período de chuvas — e controlar a presença de plantas tigueras.”, recorda.
Para ele, entretanto, as recomendações – incluindo uso de inseticidas adequados, a rotação de ativos e o plantio de variedades resistentes - foram negligenciadas na última safra e os resultados negativos podem ser sentidos agora.
“É possível observar no campo o aumento da resistência desta praga aos inseticidas, o que tem obrigado os produtores a fazerem várias aplicações sem qualquer resultado no controle ou redução do inseto. Especialistas revelam terem capturado mais de 400 cigarrinhas por armadilha em lavouras de Mato Grosso.”
Cigarrinha
A praga é conhecida por causar enfezamentos nas plantações de milho. Segundo a Embrapa, trata-se de um inseto, que se alimenta da seiva da planta, e que apresenta riscos quando infectado pela bactéria molicutes.
No artigo, o diretor da Abramilho recorda a trajetória dos produtores para mitigar riscos e ações fundamentais como aplicações de inseticida e o controle das plantas tigueras de milho e a redução da janela de plantio para evitar o corredor verde, no qual o inseto migra de uma lavoura para outra.
“Há duas safras, a praga não era um problema prioritário. Mas hoje, pelo seu nível de população, há uma grande ocorrência de fumagina nas folhas, como ocorre na mosca branca. Além da fumagina, há o fator da cigarrinha como vetor dos molicutes — que causam o enfezamento — e com eles os drásticos prejuízos a cultura.”
Neste cenário, o texto ainda lembra a criação de um grupo de trabalho do milho com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), entidades de produtores, governo e outras organizações.
O grupo está trabalhando com foco em minimizar os danos da cigarrinha, pesquisar híbridos mais resistentes e desenvolver inseticidas que possuam melhor performance para o produtor.
“É preciso entender que não há solução milagrosa para este problema. O produtor precisa ter o manejo da praga como um aliado, já que a cigarrinha causa grande preocupação e não há uma única solução para atender a todos, devido a questões regionais, climáticas e limitação de híbridos e produtos.”
Vale lembrar que, apesar do alerta, a Abramilho tem projeção de safra recorde em 2022/2023, com 126 milhões de toneladas e uma alta de 12% na comparação com o ciclo passado.