Soja quase triplica área ocupada no Cerrado em 21 anos, diz Abiove

    Contudo, ritmo de desmatamento caiu 68% no bioma nos últimos anos

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    Expansão ocorreu majoritariamente pela intensificação do uso da terra por meio da conversão de pastagens. (foto -

    Expansão ocorreu majoritariamente pela intensificação do uso da terra por meio da conversão de pastagens. (foto -

    15deDezembrode2022ás12:33

    A área destinada ao cultivo de soja no Cerrado quase triplicou em 21 anos, saltando de 7,4 milhões em 2001 para 21,4 milhões em 2022, segundo estudo divulgado hoje pela Agrosatélite em parceria com a Associação Brasileira de óleos Vegetais (Abiove).

    Com isso, esse montante representa 11% do Cerrado e 52% da área utilizada pela cultura de soja do Brasil. A taxa média de crescimento da sojicultura no bioma nesses 21 anos foi de 667 mil ha/ano, sendo que nas últimas duas safras (2020/21 e 2021/22) dobrou, passando para 1.320 mil ha/ano.

    O relatório também ressalta que, apesar do aumento significativo da abertura anual de novas áreas no Cerrado entre 2021 (853 mil ha) e 2022 (1,07 milhão de ha), as taxas médias de desmatamento caíram nos últimos cinco anos.

    O monitoramento do PRODES Cerrado apresentou uma média de 2,6 milhões de ha anuais entre 2001 e 2005 contra 810 mil há entre 2018 a 2022, ou seja, 68,9% menor no total entre todos os diferentes tipos de uso de solo.

    Além disso, observa-se uma diferença marcante entre as regiões do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e outros estados (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Paraná) que compõe o Cerrado.

    A conversão de vegetação nativa do bioma em cultura de soja somou 52 mil há em 2021, ou apenas 6,25% do total desmatado, dos quais 9 mil ha nos “outros estados” e 43 mil ha no MATOPIBA. Ou seja, 94% da vegetação convertida no Cerrado em 2021 não foi para a cultura da soja.

    “A região dos Outros Estados já é considerada mais consolidada, de tal forma que a pressão sobre a vegetação nativa é menor. Já no MATOPIBA os estoques de terras abertas há mais tempo são restritos, fazendo com que parte significativa da expansão com desmatamento ocorra nesta região”, explica Bernardo Pires, gerente de Sustentabilidade da Abiove.

    Além disso, a análise sobre a expansão de 5,9 milhões de ha de soja no período de 2013/14 a 2021/22 mostrou que ela se dá prioritariamente pela intensificação do uso da terra por meio da conversão de pastagens. 

    Quanto à supressão de vegetação nativa para esse fim, o grupo “Outros Estados” contou com 190 mil ha e MATOPIBA, 700 mil ha de expansão com desmatamento.

     

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