Por que usar consórcios forrageiros na segunda safra?
Técnica, destaca a Embrapa, traz diversos benefícios para produtores de soja e milho
Por |
Embrapa MT vem testando mais de 20 combinações de consórcios para as culturas. (foto - Embrapa)
Diante da rentabilidade da dobradinha “soja e milho” na agricultura brasileira é cada vez maior o interesse dos produtores nos consórcios forrageiros com uma alternativa para a segunda safra. Quer saber por qual motivo?
A resposta está em artigo publicado pela Embrapa, assinado pelo chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia, Flávio Jesus Wruck (Chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia).
“Conforme a combinação de espécies, é possível obter diferentes serviços ecossistêmicos, como o aumento da matéria orgânica no solo, melhoria da microbiota e fixação biológica de nitrogênio”, diz o texto.
O pesquisador cita outros benefícios como a ciclagem de micro e macro nutrientes, redução de população de plantas daninhas, descompactação do solo e mitigação de nematóides, além da melhoria da qualidade da forragem para as áreas de integração lavoura-pecuária (ILP).
O texto aborda também a escolha das espécies a serem usadas no consórcio, que deve ser feita levando-se em conta a necessidade agronômica daquele talhão e as características edafoclimáticas da região.
Em Mato Grosso, pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril e da Universidade Federal de Mato Grosso – campus Sinop, vêm testando mais de 20 combinações de consórcios, sejam eles de duas espécies ou policonsórcios, com até seis materiais.
Segunda a Embrapa, as braquiárias são as gramíneas mais utilizadas, com destaque para as B. ruziziensis e as B. brizantha, notadamente as cultivares BRS Piatã e a BRS Paiaguás.
Elas devem ocupar pelo menos 70% (em matéria seca) do consórcio, podendo produzir mais de 10 toneladas de matéria seca por hectare, enquanto o mínimo recomendado para um bom sistema de plantio direto é em torno de 5 t/ha.
Exemplos
O pesquisador reconhece que a maior parte dos consórcios ainda está em pesquisa ou validação, mas cita três exemplos entre os mais promissores. Um deles, recomendado para a ILP, será pastejado pelo "boi-safrinha''.
Trata-se do sistema Gravataí, tendo a forrageira e a pecuária como principais atividades na segunda safra. Consiste no consórcio do feijão-caupi (Vigna unguiculata) com gramíneas.
Outro exemplo é o uso de capim + Crotalária ochroleuca/C. spectabilis que têm como principais finalidades reduzir a população de nematóides do solo em áreas de soja, tanto em SPD quanto em ILP.
Para encerrar, ele cita o consórcio capim com nabo forrageiro. As principais finalidades são ciclar nutrientes, notadamente potássio (mais de 340 kg/ha de K2O estocado na palhada) e descompactar o solo, especialmente nos primeiros 20 cm de profundidade, em áreas de soja tanto em SPD quanto em ILP.