Por que usar consórcios forrageiros na segunda safra?

    Técnica, destaca a Embrapa, traz diversos benefícios para produtores de soja e milho

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    Embrapa MT vem testando mais de 20 combinações de consórcios para as culturas. (foto - Embrapa)

    Embrapa MT vem testando mais de 20 combinações de consórcios para as culturas. (foto - Embrapa)

    18deJaneirode2023ás17:48

    Diante da rentabilidade da dobradinha “soja e milho” na agricultura brasileira é cada vez maior o interesse dos produtores nos consórcios forrageiros com uma alternativa para a segunda safra. Quer saber por qual motivo? 

    A resposta está em artigo publicado pela Embrapa, assinado pelo chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia, Flávio Jesus Wruck (Chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia).

    “Conforme a combinação de espécies, é possível obter diferentes serviços ecossistêmicos, como o aumento da matéria orgânica no solo, melhoria da microbiota e fixação biológica de nitrogênio”, diz o texto.

    O pesquisador cita outros benefícios como a ciclagem de micro e macro nutrientes, redução de população de plantas daninhas, descompactação do solo e mitigação de nematóides, além da melhoria da qualidade da forragem para as áreas de integração lavoura-pecuária (ILP).

     O texto aborda também a escolha das espécies a serem usadas no consórcio, que deve ser feita levando-se em conta a necessidade agronômica daquele talhão e as características edafoclimáticas da região.

    Em Mato Grosso, pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril e da Universidade Federal de Mato Grosso – campus Sinop, vêm testando mais de 20 combinações de consórcios, sejam eles de duas espécies ou policonsórcios, com até seis materiais.

    Segunda a Embrapa, as braquiárias são as gramíneas mais utilizadas, com destaque para as B. ruziziensis e as B. brizantha, notadamente as cultivares BRS Piatã e a BRS Paiaguás.

    Elas devem ocupar pelo menos 70% (em matéria seca) do consórcio, podendo produzir mais de 10 toneladas de matéria seca por hectare, enquanto o mínimo recomendado para um bom sistema de plantio direto é em torno de 5 t/ha.

    Exemplos

    O pesquisador reconhece que a maior parte dos consórcios ainda está em pesquisa ou validação, mas cita três exemplos entre os mais promissores. Um deles, recomendado para a ILP, será pastejado pelo "boi-safrinha''.

    Trata-se do sistema Gravataí, tendo a forrageira e a pecuária como principais atividades na segunda safra. Consiste no consórcio do feijão-caupi (Vigna unguiculata) com gramíneas.

    Outro exemplo é o uso de capim + Crotalária ochroleuca/C. spectabilis que têm como principais finalidades reduzir a população de nematóides do solo em áreas de soja, tanto em SPD quanto em ILP.

    Para encerrar, ele cita o consórcio capim com nabo forrageiro. As principais finalidades são ciclar nutrientes, notadamente potássio (mais de 340 kg/ha de K2O estocado na palhada) e descompactar o solo, especialmente nos primeiros 20 cm de profundidade, em áreas de soja tanto em SPD quanto em ILP.

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