Safrinha? Produção da 2ª safra do milho está mais para “safrão” em 2023
Previsão do Mais Milho é de 120 milhões de toneladas, representando 72% do total nacional
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Brasil pode bater Estados Unidos nas exportações, diz Abramilho. (foto - Sistema CNA/Senar)
Denominada como “safrinha”, a Segunda Safra de milho no Brasil deve bater o seu recorde de produção em 2023, podendo chegar a 120 milhões de toneladas - número que ainda depende do desempenho das lavouras, mas que corresponderia a 72% da produção nacional.
A estimativa foi apresentada durante a 7º temporada do projeto Mais Milho e divulgada pela Associação Brasileira de Produtores de Milho (Abramilho).
O encontro, que debateu desafios do setor ao longo do ano, ocorreu no último dia 15, em Campo Grande (MS), na sede da Federação da Agricultura e Pecuário do Mato Grosso do Sul (Famasul).
“Alguns desafios ainda precisam de atenção, como é o caso do calendário ideal para o início do plantio da Segunda Safra do cereal”, diz a Abramilho, em nota.
Segundo a entidade, o tempo nublado e chuvoso nos principais estados produtores alongou o ciclo da soja, consequentemente adiando a plantação do milho.
Em janeiro de 2022, 12% da soja já havia sido colhida, enquanto no mesmo período deste ano, este número foi de apenas 5%.
No início de fevereiro de 2022, 16% da área havia sido colhida e, em 2023, apenas 9%.
Vale lembrar que o mês de fevereiro é uma janela ideal para garantir o plantio do milho.
Giro pelo Brasil
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), em fevereiro do ano passado, em Mato Grosso (MT), 87% do milho já havia sido plantado — número que ficou acima da média dos últimos 5 anos anteriores.
Já em 2023, na primeira quinzena de fevereiro, apenas 34% das lavouras havia sido cultivadas.
No Paraná, atrás apenas de MT na produção de milho no Brasil, a área plantada até a primeira quinzena de fevereiro foi de 12%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
O estado terá que avançar rapidamente nos dias restantes do mês para alcançar os 36% de área cultivada observada no mesmo período do ano passado.
Outros estados como Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentam cenários semelhantes.
Além do risco de falta de chuva adequada para o desenvolvimento da lavoura, aumenta-se também a pressão de pragas, com destaque para a cigarrinha-do-milho, os percevejos e o complexo de lagartas.
Estados Unidos
Segundo a Abramilho, se confirmada as estimativas, o Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos nas exportações do grão, subindo ao primeiro lugar do ranking.
“Os EUA têm mantido sua produção próxima a 350 milhões de toneladas, mas devido a uma safra passada com dificuldades climáticas e falta de chuva, a produção recuou em quase 40 milhões de toneladas e as exportações previstas para este ano são de 48 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)”, diz a Abramilho.
Já o Brasil, segundo consultorias, pode chegar à marca de 50 milhões de toneladas exportadas, superando pela primeira vez o país americano.
E a primeira safra?
De acordo com dados do projeto, a Primeira Safra está quase toda colhida e apresentou um incremento de 1 milhão de toneladas, totalizando 26,4 milhões de toneladas.
Apesar disso, lembra a Abramilho, a seca frustrou as previsões iniciais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o estado do Rio Grande do Sul, principal produtor do milho verão.
De 5,7 milhões de toneladas previstas, a produção foi para 4,3 milhões de toneladas.