Importações de fertilizantes batem recorde em 2025

    Busca por redução de custos leva produtores a priorizar produtos de menor concentração, elevando o volume importado apesar de preços altos e margens apertadas

    Por |
    Importações de fertilizantes batem recorde em 2025
    13deJaneirode2026ás11:39

    As importações brasileiras de fertilizantes  atingiram um novo recorde em 2025, considerando os principais produtos adquiridos pelo país.

    De acordo com a StoneX, foram importadas 44,96 milhões de toneladas, volume 2,9% superior ao registrado em 2024. O desempenho indica que, apesar de um cenário marcado por relações de troca pouco atrativas e preços persistentemente elevados, a demanda nacional se manteve resiliente.

    Em um ano de margens apertadas no campo, os compradores brasileiros adotaram estratégias para reduzir os custos de produção.

    Uma delas foi a priorização de fertilizantes de menor concentração de nutrientes, como o sulfato de amônio (SAM)  e o superfosfato simples (SSP), em detrimento de produtos mais concentrados, como a ureia e o fosfato monoamônico (MAP).

    >> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP

    Os dados mostram que, em 2025, as importações de ureia recuaram 7% em relação ao ano anterior.

    Oposto

    Em sentido oposto, as aquisições de SAM cresceram quase 28%. No segmento de fosfatados, as compras de MAP caíram aproximadamente 25,7%, enquanto as importações de SSP e de NP, alternativas com menor teor de fosfato, avançaram 22% e 31,7%, respectivamente.

    Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, a preferência por fertilizantes de menor concentração implica a necessidade de aplicação de maiores volumes no solo para garantir o suprimento adequado de nutrientes.

    “Ao optar por esses produtos, o agricultor precisa adquirir mais toneladas para atingir o mesmo nível de adubação, o que ajuda a explicar o aumento do volume total importado”, afirma.

    Esse movimento ampliou a participação de SAM, SSP e NP no mercado brasileiro ao longo de 2025. A principal dúvida para 2026 é se esses produtos seguirão como prioridade nas decisões de compra dos importadores.

    De acordo com Pernías, a escolha dos fertilizantes envolve uma combinação de fatores, como disponibilidade, preços, relações de troca e custo-benefício, sempre considerando a quantidade efetiva de nutrientes entregue por cada produto.

    “Não é possível afirmar se os fertilizantes de menor concentração manterão em 2026 a mesma representatividade observada em 2025. Contudo, com a proximidade do período de adubação nos Estados Unidos, rumores de suspensão de exportações chinesas, volatilidade nas negociações indianas e o risco constante de sanções comerciais, o comprador brasileiro tende a seguir atento às oportunidades, buscando reduzir custos e preservar a competitividade”, conclui.

     

    Temas nesta notícia