Mercado de milho está animado com safra recorde e alta demanda mundial

    Conab avalia cenário favorável aos produtores do cereal; já o de algodão tem ritmo mais lento

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    Entrada da China nas compras do milho brasileiro da safra 2022/23 é um importante fator para a pressão de alta nos preços. (foto - Sistema CNA/Senar)

    Entrada da China nas compras do milho brasileiro da safra 2022/23 é um importante fator para a pressão de alta nos preços. (foto - Sistema CNA/Senar)

    24deFevereirode2023ás09:39

    Em geral, no agro, uma maior produção pode acarretar em queda no preço (uma vez que a oferta é maior). Porém, a regra não vale quando o assunto é a safra de milho 2022/2023. 

    Mesmo com estimativa de volume recorde, de 123,74 milhões de toneladas, a alta demanda e as incertezas de oferta do cereal no mundo tendem a garantir preços rentáveis aos produtores brasileiros.

    A análise consta na edição de fevereiro do boletim AgroConab, publicado nesta quinta (dia 23) pela Companhia Nacional de Abastecimento.

    Segundo a publicação, o cenário de mercado de milho permanece favorável ao produtor, apesar de problemas na oferta relacionados à “condição climática adversa que tem afetado o Rio Grande do Sul e que tem também causado impactos nas lavouras argentinas”, diz o texto.

    “Há uma projeção de quebra de 9,6% na produção de milho no país vizinho, sendo a redução de 5,0 milhões de toneladas na comparação com os números iniciais da safra. Além disso, destaca-se a incerteza quanto ao escoamento do cereal da Ucrânia na Europa”, avalia o gerente de Produtos Agrícolas da Conab, Sergio Roberto Santos.

    Do lado da demanda, a entrada da China entre os principais compradores do milho brasileiro da safra 2022/23 é um importante fator para a pressão de alta nos preços.

    As exportações do cereal  fecharam janeiro em torno de 6,17 milhões de toneladas, uma alta em torno de 126% se comparado com o volume registrado no mesmo período de 2022, e elevação de 120,07% quando a referência é a média comercializada nos últimos 5 anos.

    “Com as exportações em ritmo acelerado e com os estoques de passagem mais reduzidos, nota-se uma desaceleração no movimento de queda nas cotações do cereal no mercado interno, mesmo diante da colheita da 1ª safra do grão no Brasil, o que usualmente reflete em sazonalidade negativa das cotações”, explica o gerente da Companhia.

    Algodão em ritmo lento

    Se o cenário para o milho é de valores comercializados pressionados pelos fatores de mercado, no caso do algodão, o panorama se apresenta mais volátil.

    Segundo o boletim AgroConab, tanto compradores como vendedores estão retraídos e cautelosos.

    “A comercialização da fibra segue em ritmo lento e com negócios pontuais. Dessa maneira, os produtores dosam a oferta, enquanto os compradores adquirem apenas o suficiente para as necessidades imediatas”, o analista de mercado da Companhia, Adonis Boeckmann.

    No Brasil, há expectativa de aumento na produtividade e na área destinada ao algodão para a safra 2022/23.

    Com isso, a projeção de colheita para a pluma está em torno de 3 milhões de toneladas, crescimento de 19,2% comparada à safra anterior.

    “Há sinais de melhorias nas comercializações internacionais e de retomada do consumo e produção na China, o que têm dado ânimo ao mercado. Mas ainda há receio diante de uma crise econômica global”, relata o analista.

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