Excesso de chuva atrasa plantio do milho em Mato Grosso e preocupa produtores

    Volume elevado de precipitações nos últimos meses dificulta operações no campo, afeta estande das lavouras e aumenta incertezas sobre produtividade da safra

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    Excesso de chuva atrasa plantio do milho em Mato Grosso e preocupa produtores
    11deMarçode2026ás14:30

    O excesso de chuva em Mato Grosso tem atrasado o plantio do milho da safra 2025/26 e aumentado a preocupação entre produtores rurais do estado.

    Após um início de ciclo marcado pela falta de precipitações durante a semeadura da soja, o cenário se inverteu e volumes elevados de chuva passaram a dificultar tanto a colheita da oleaginosa quanto o avanço das operações no campo para implantação da nova safra do cereal.

    A semeadura do milho segue avançando em Mato Grosso, mas ainda não atingiu a área total estimada para a cultura, mesmo com mais de 20 dias de atraso em relação à janela considerada ideal de plantio.

    Essa situação é reflexo direto do atraso na semeadura da soja em novembro de 2025, provocado pela falta de chuva, e posteriormente do atraso na colheita do grão devido ao excesso de precipitações.

    Dados do Aproclima — projeto da  Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) que monitora as condições meteorológicas no estado — identificaram acúmulo de até 900 milímetros de chuva em alguns municípios em apenas 60 dias.

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    Segundo o Instituto Mato-grossense da Economia Agropecuária (Imea), Mato Grosso havia atingido 93,68% da área prevista para a semeadura do milho até a última sexta-feira (06.03). O atraso preocupa produtores rurais, que dependem do cumprimento do calendário agrícola para garantir produtividade e qualidade da safra.

    Excesso de chuva também afeta lavouras já semeadas

    Além de dificultar o plantio, a grande quantidade de chuva também pode afetar áreas onde o milho já foi implantado. As enxurradas podem provocar falhas no estande das lavouras, reduzindo a população de plantas por hectare e comprometendo o potencial produtivo da cultura.

    O diretor financeiro da Aprosoja MT, Nathan Belusso, explica que o milho exige maior precisão no manejo em comparação à soja.

    “O milho é uma cultura muito mais técnica do que a soja, ela utiliza menos plantas por metro linear, menos plantas por hectare, e por consequência, você pode ter uma perda de plantas, uma perda da população do estande. Como consequência, gera um efeito direto na produção final da cultura, então a gente tem que ficar atento ao desenvolvimento do plantio do milho, principalmente nessas regiões que estão mais atrasadas, que estão sofrendo com muita chuva agora”, contou.

    Precipitações elevadas aumentam risco de perdas

    A vice-presidente sul da Aprosoja MT, Laura Battisti Nardes, destaca que o excesso de chuva pode trazer impactos econômicos ao produtor, especialmente por afetar a qualidade dos grãos.

    “Como em qualquer plantação, tanto a chuva como o sol em além do normal prejudica a quantidade e a qualidade da produção. No caso do milho, cultura mais sensível do que a soja, o excesso hídrico na germinação, no crescimento e na floração causa maiores danos do que a seca, danos na qualidade dos grãos e diminui consequentemente a viabilidade econômica do produto”, afirmou.

    Regiões registraram até 900 mm de chuva em 60 dias

    O levantamento do Aproclima considerou o período entre 25 de dezembro de 2025 e 25 de fevereiro de 2026. Nesse intervalo, municípios como Diamantino, Nova Mutum, Vera, Sinop, Claúdia, Matupá e Querência registraram acumulados entre 700 e 900 milímetros de chuva.

    Nas demais áreas do estado, os volumes variaram entre 150 e 500 milímetros.

    O excesso de precipitações também impede o avanço das máquinas nas áreas agrícolas. Com o solo encharcado, há risco de compactação e degradação do terreno, o que leva muitos produtores a aguardarem melhores condições climáticas para continuar o plantio.

    Produtores temem impactos no desenvolvimento da safra

    O produtor rural de Nova Ubiratã, Fábio Luis Bratz, relata que o excesso de chuva atrasou a colheita da soja e acabou empurrando o plantio do milho para fora da janela considerada ideal.

    “A chuva atrasou a colheita da soja, choveu muito aqui na região e depois colhemos a soja, mas a nossa maior preocupação é a falta de chuva lá na frente, no final do ciclo. Pode ser que a chuva corte mais cedo e aí não dê tempo do milho expressar todo o seu potencial produtivo”, relatou.

    Segundo ele, o plantio segue atrasado na propriedade.

    “O milho já está sendo plantado fora da janela. Nós já plantamos atrasado, na verdade, estamos plantando atrasado, e o problema é que talvez não vamos conseguir produzir. A semente está aí, o adubo também, tem que plantar, não tem como fazer. Vamos ver depois se produzimos para pagar pelo menos essa conta aí”, lamenta.

    Impacto pode atingir toda a cadeia do agro

    O excesso de chuva pode comprometer não apenas o desempenho das lavouras, mas também toda a cadeia produtiva ligada ao milho, que envolve transporte, armazenagem e comercialização do grão.

    Diante desse cenário, a Aprosoja MT afirma que segue monitorando as condições climáticas e trabalhando junto aos produtores para reduzir os impactos da instabilidade do clima nas lavouras do estado.

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