Balança comercial: Brasil tem maior superávit para um mês de março
Petróleo, milho e soja puxaram alta das exportações
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A alta nas exportaçõesdeve-se mais ao aumento do volume comercializado que dos preços internacionais das mercadorias. (foto - CNA/Senar)
Puxada pelo aumento nas exportações de petróleo, milho e soja, a balança comercial brasileira registrou em março seu maior superávit para o mês, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, divulgados ontem (dia 3).
O balanço aponta que o Brasil exportou US$ 10,956 bilhões a mais do que importou, com alta de 37,7% na comparação com março de 2022. Trata-se do melhor resultado desde o início da série histórica, em 1989.
No acumulado dos três primeiros meses do ano, a balança comercial registra superávit de US$ 16,068 bilhões - também é o mais alto para o período desde o início da série histórica.
O número representa alta de 29,8% com relação ao desempenho do mesmo período em 2022.
Também com o levantamento, a equipe econômica do Governo divulgou a primeira estimativa de superávit comercial para 2023: projetando saldo positivo de US$ 84 bilhões para este ano, o que representaria alta de 36,8% em relação ao superávit recorde de US$ 62,3 bilhões registrados em 2022.
Compras e vendas
No mês passado, aponta a Secex, o Brasil vendeu US$ 33,06 bilhões para o exterior e comprou US$ 22,104 bilhões. As exportações subiram 7,5% em relação a março de 2022, pelo critério da média diária, registrando recorde para o mês.
As importações caíram 3,1% pelo critério da média diária, mas, por causa do maior número de dias úteis em março deste ano, atingiram o valor mais alto da história.
No caso das exportações, a alta deve-se mais ao aumento do volume comercializado que dos preços internacionais das mercadorias.
No mês passado, o volume de mercadorias exportadas subiu em média 18,5% na comparação com março do ano passado, enquanto os preços médios recuaram 5,6%.
Nas importações, a quantidade comprada caiu 3,7%, refletindo a desaceleração da economia, mas os preços médios aumentaram 2,4%.
A alta dos preços foi puxada principalmente por motores e máquinas não elétricos e por compostos químicos, itens que ficaram mais caros após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Os preços dos fertilizantes químicos, que subiram fortemente no ano passado, caíram 24,4% na comparação entre março de 2023 e de 2022.
Desempenho de março
No setor agropecuário, a recuperação de embarques, que tinham atrasado em fevereiro, pesou mais na alta das exportações, apesar da valorização das commodities (bens primários com cotação internacional).
Com isso, o preço médio avançou 3,6% em março na comparação com o mesmo mês de 2022, enquanto o volume de mercadorias embarcadas subiu 9,8%.
Na indústria de transformação, a quantidade exportada subiu 4,3%, com o preço médio aumentando 1%, e na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada subiu 57,8%, mas os preços médios recuaram 20,5% em relação a março do ano passado.
O petróleo bruto voltou a puxar a alta das exportações, com o volume exportado subindo 102,7%, apesar da queda de 24,1% nos preços entre março de 2022 e março de 2023.
Já na comparação entre fevereiro do ano passado e deste ano, os produtos com maior destaque na alta das exportações agropecuárias foram arroz com casca (+457,4%), milho não moído, exceto milho doce (+6.138,9%) e soja (+8,9%).
O crescimento compensou a queda em outros produtos, como café (-30,2%) e algodão bruto (-62,7%).
Também se destacam as altas nas exportações de carnes de aves (+23,1%), açúcares e melaços (+39,8%) e farelos de soja e outros alimentos para animais (+37,3%).
Quanto às importações, as maiores quedas foram registradas nos seguintes produtos: milho não moído (-84,8%) e soja (-77,1%) na agropecuária; petróleo bruto (-12,6%) e gás natural (-80,2%), na indústria extrativa; e inseticidas e agrotóxicos (-39,3%) e válvulas e tubos termiônicos (-28,5%), na indústria de transformação.