Máquina usa entrelinhas das lavouras de soja para antecipar outro plantio
Jumil e Embrapa fabricam implemento para otimizar uso da área segundo janelas de plantio
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A grande vantagem do Antecipe é ganhar até 20 dias antes da colheita da soja sem prejuízo em nenhuma das culturas inseridas no sistema. (foto - Jumil)
O desafio de realizar o plantio do milho segunda safra no momento correto, após o ciclo da soja, motivou a Embrapa e a Jumil a lançar comercialmente o sistema “Antecipe”.
A solução consiste em uma semeadora-adubadora única no mercado, que consegue realizar múltiplos cultivos nas entrelinhas das lavouras de soja. Atualmente, além do milho, o equipamento também pode plantar diversas outras culturas, como sorgo, milheto ou forrageiras tropicais no mesmo modelo entrelinhas.
A grande vantagem é ganhar até 20 dias antes da colheita da soja sem prejuízo em nenhuma das culturas inseridas no sistema. Em outras palavras, a solução permite aproveitar a janela de plantio ideal e “ganhar” produtividade em ciclos de culturas consorciadas.

“Além disso, a semeadora-adubadora é múltipla, pois realiza não só o Antecipe, mas também todos os cultivos comerciais que o produtor deseja. Com o diferencial que só ela semeia nas entrelinhas da soja ou de outras lavouras”, explica Emerson Borghi, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.
Para o milho verão, por exemplo, também há a possibilidade de consórcio com forrageiras em estádios fenológicos mais avançados, diminuindo a competição entre as espécies.
Operação
Para implantação do Antecipe, alguns requisitos técnicos são necessários. No caso do plantio de milho entrelinhas em lavouras de soja, por exemplo, é preciso semear o milho no momento correto.
“É necessário conhecer qual o momento de semear o milho antes da colheita da soja, e o estádio fenológico em que pode ser realizado o corte do milho sem prejudicar seu desenvolvimento posterior”, detalha.
A partir daí, os ajustes no trator para o tráfego no sistema Antecipe são realizados a fim de garantir o bom desenvolvimento de ambas culturas ao mesmo tempo. São considerados aspectos como o vão livre e potência do trator, ajustes do implemento para semeadura ou adubação, entre outros.

Na prática, a semeadora-adubadora é acoplada ao levante hidráulico de tratores com traçado dianteiro, em razão do peso das semeadoras-adubadoras quando carregadas completamente.
Em relação à potência requerida para utilizar a semeadora-adubadora de quatro linhas, o trator deve ter no mínimo 90 cavalos, e na versão de seis linhas, 120 cavalos no mínimo.
E os benefícios podem ser bastante relevantes. “O ganho no milho com a antecipação em 20 dias antes da colheita da soja pode chegar a 1,5 saca por hectare para cada dia de antecipação, quando comparado às semeaduras tardias. O sistema ainda permite utilizar cultivares de soja de ciclo médio, aumentando a produtividade do sistema soja-milho”, informa Emerson.
E o aumento na produtividade não é a única vantagem, o sistema Antecipe favorece a redução do custo, pois não há necessidade de dessecar a soja para antecipar o plantio do milho.
Cooperação técnica público-privada
A parceria é orientada por um contrato de cooperação técnica entre Embrapa e Jumil, mediante negociação de plano de trabalho ajustado entre as partes, com Fábio Chencci como coordenador do projeto pela Jumil.
Pelo lado da Embrapa, a pesquisa e o desenvolvimento do modelo já têm 13 anos-safra e foi testado em diversos testes a campo antes de ser lançado em parceria com a Jumil.
Desde o lançamento comercial da tecnologia em 2020, são realizadas ações de transferência de tecnologia e demonstração aos produtores, além iniciativas de comunicação.

Segundo a própria Embrapa, o modelo disponibilizado pela Jumil aos produtores não representa riscos à produtividade de soja, pois apresenta avanços tecnológicos e instrumentais importantes que se adequam perfeitamente aos propósitos do Antecipe.
Até o momento, o implemento tem versões disponíveis com 4, 6 e 9 linhas para atender principalmente pequenos produtores. “O sistema Antecipe realizado por esse maquinário tem boa aceitação pelos produtores. A intenção é ter modelos ainda maiores, mesmo que exijam tratores com mais potência”, finaliza.