Preços da soja, milho e trigo seguirão em queda, diz IPEA

    Instituto avalia desempenho dos preços das commodities agrícolas no 1º tri de 2023 e aponta tendências

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    Colheita deve ser 22,4% superior à safra anterior no Brasil, segundo Conab. (foto - CNA/Senar)

    Colheita deve ser 22,4% superior à safra anterior no Brasil, segundo Conab. (foto - CNA/Senar)

    03deMaiode2023ás09:24

    Os preços da soja, milho e do trigo seguirão caindo nos próximos meses, de acordo com o estudo Preços e Mercados Agropecuários, divulgado nesta terça-feira (dia 2), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

    O balanço, realizado em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), aponta que o movimento de queda nos preços domésticos e internacionais desses produtos – já registrado no primeiro trimestre – deve continuar nos próximos meses.

    Por outro lado, os preços da carne bovina devem seguir em alta, especialmente pela valorização no mercado internacional.

    “Tanto pela queda na oferta de concorrentes, como Argentina e Uruguai, quanto pela expectativa de alta do consumo chinês, principal destino da carne bovina brasileira”, diz a pesquisadora do Ipea e uma das coordenadoras da publicação, Ana Cecília Kreter.

    Ela explica que o estudo acompanha a dinâmica dos preços domésticos e internacionais até março de 2023, suas perspectivas, e o balanço de oferta e demanda dos principais produtos agropecuários brasileiros referentes à safra 2022-2023.

    José Ronaldo Souza Júnior, coordenador de Crescimento e Desenvolvimento Econômico no Ipea, sinaliza que, no geral, o panorama é favorável para o país.

    “O Ipea estimou um crescimento de 11,6% do produto interno bruto (PIB) do setor agropecuário para 2023, conforme divulgado na Carta de Conjuntura em março deste ano. E o atual cenário para o setor contribuiu significativamente para a estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano”, assinalou o especialista.

    Ele lembra que, no início do ano passado, em função do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, houve um boom nos preços das commodities agrícolas.

    “Mas, depois, com o cenário de boa produtividade na lavoura, somada a medidas como as rotas de escoamento de safra no Mar Negro, o mercado voltou a se acalmar.”

    Soja e produção recorde

    Os preços da soja no primeiro trimestre de 2023 voltaram a ser negociados nos níveis mais baixos desde 2020. O movimento de queda no preço é atenuado pela alta do volume das exportações. 

    Além disso, as estimativas indicam, mais uma vez, produção recorde de soja no país, diante do bom desenvolvimento das lavouras e do aumento da área plantada.

    Segundo a Conab, a colheita deve ser 22,4% superior à safra anterior no Brasil, com produtividade registrando recordes históricos de área de plantio, produtividade e produção.  

    Além disso, a quebra da safra argentina tem permitido a ampliação da comercialização de derivados da soja (farelo e óleo).

    Ainda sobre a soja, o Indicador Cepea/Esalq Paraná registrou queda no preço do grão após a negociação antecipada de produtores apenas de pequeno percentual da safra, que provocou a elevação nas vendas à medida que a colheita avançou no mês de março.

    Para Nicole Rennó, pesquisadora do Cepea e professora da Esalq/USP, “os prêmios de exportação de soja com base no porto de Paranaguá (PR) voltaram a ficar negativos, registrando os menores patamares para um primeiro trimestre, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em 2004”.

    Milhos, trigo e café

    No que diz respeito ao milho, o Ipea aponta a recuperação da produção tem atendido o mercado doméstico e permitido ao Brasil ampliar os embarques para alguns parceiros comerciais, como os países asiáticos.

    Segundo a Conab, a previsão é de aumento de 10,4% na produção da safra 2022-2023 do milho. E no cenário mundial, o Brasil passa a liderar a comercialização do grão, após a redução de 25,2% do volume comercializado pelos Estados Unidos, que historicamente é o maior produtor e exportador mundial de milho.

    Outro importante produto do setor, o trigo, que antes liderava a pauta de importação, agora levou o Brasil a ocupar a posição de 11º maior exportador mundial do cereal, graças à maior colheita doméstica.

    O levantamento do Ipea conta com a participação do Cepea/Esalq/USP para as análises dos preços domésticos e da Conab para as análises de produção e dos balanços de oferta e demanda domésticos. 

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