Irrigação por gotejamento traz “sabor extra” ao café

    Sistema de precisão, além de garantir a água e fertilização, reduz custos de cafeicultor

    O cafeicultor Lucas Batista está aliviado por não precisar mais se preocupar com a falta de chuvas. (foto - Lucas Batista)

    O cafeicultor Lucas Batista está aliviado por não precisar mais se preocupar com a falta de chuvas. (foto - Lucas Batista)

    19deMaiode2023ás16:19

    Uma xícara de café precisa da quantidade certa de água para atingir seu sabor perfeito. O mesmo vale para as plantações de café, a fim de alcançar o maior desempenho de produção e o “sabor” de melhores margens de lucro.

    Por isso, uma família de tradicionais produtores de café brasileiros adotou um sistema inteligente de irrigação por gotejamento para economizar custos e aumentar a produtividade.

    A família Batista cultiva café há mais de 60 anos no estado de São Paulo, Brasil, mas percebeu que ainda havia espaço para melhorias. Ainda em 2008, os irmãos Lucas e Bruno Batista juntaram-se ao pai, Ailton, no Grupo AGAM, a fim de aprimorar as soluções tecnológicas.

    Uma das prioridades se tornou a gestão da água. Antes, os 570 hectares da fazenda na região do município de Pedregulho nunca haviam utilizado sistema de irrigação.

    Assim, a terceira geração de cafeicultores dos Batista começou a usar um sistema de irrigação convencional há uma década e, desde 2017, um “sistema de irrigação inteligente”.

    “Quando começamos a usar um sistema de irrigação simples, há 10 anos, obtivemos bons resultados imediatamente. Por isso, há 5 anos, buscamos um sistema de gotejamento digital e inteligente”, afirma Lucas Batista, diretor agrícola do Grupo AGAM.

    Retorno do investimento

    Atualmente, eles cultivam café em 350 hectares, dos quais 150 ha usam o novo sistema de irrigação por gotejamento. O retorno sobre o investimento foi alto desde o início, graças ao aumento da produtividade e redução de custos.

    A primeira safra com o novo sistema rendeu 70 sacas de café arábica por hectare, enquanto a média sem irrigação é de 35 sacas. Comparado ao sistema de irrigação “tradicional”, o sistema inteligente da Netafim economiza 30% no uso de água e eletricidade.

    “A outra vantagem é que o sistema também aplica fertilizantes, por meio da fertirrigação. Assim, precisamos de 20% menos fertilizantes para aumentar nossa produtividade em 50%. Provavelmente recuperamos o investimento na primeira safra”, diz Lucas Batista.

    Acima de tudo, Lucas está aliviado por não precisar mais se preocupar com a falta de chuvas. Por isso, ele planeja instalar a irrigação Netbit em todas as plantações da fazenda o mais rápido possível. A escassez de água é uma preocupação constante na região, afirma.

    “O clima e as mudanças climáticas são obviamente um fator chave para nós. A falta precipitação costumava ser responsável por 70% dos nossos problemas. Se tivéssemos água suficiente disponível, já teríamos instalado sistemas de irrigação em todas as nossas áreas”, diz.

    Operação do sistema de irrigação por gotejamento

    O sistema Netbeat pode ser usado para irrigação, adubação, mas também para aplicação de defensivos agrícolas.

    O software engloba todos os equipamentos de irrigação, pulverizadores, ferramentas de monitoramento de solo e estações meteorológicas para aplicar todos esses insumos com um alto nível de precisão operacional.

    Os sensores enviam seus dados via LoRa (conectividade de rádio de longo alcance) para o escritório da fazenda, onde a plataforma digital faz o resto para alcançar uma eficiência de 95% no uso de água e fertilizantes.

    O sistema é especialmente interessante para o manejo da adubação, pois utiliza sensores subterrâneos e pulverizadores. Isso permite monitorar o solo com muito mais frequência e aplicar fertilizantes com muito mais eficiência, reduzindo o risco de lixiviação.

    Normalmente, o cafeeiro requer de 3 a 4 aplicações de fertilizantes por safra. Usando o Netbeat, muito menos fertilizante é aplicado semanalmente, com base no que as plantas realmente precisam.

    Lucas destaca outro benefício do sistema inteligente de irrigação e aplicação: os custos de mão de obra diminuíram porque menos horas são gastas no campo, e ele agora pode designar sua equipe para outras tarefas. Apenas um funcionário treinado é necessário para operar o sistema e cuidar da irrigação, adubação e proteção da lavoura.

    Marca própria de café

    O Grupo AGAM também cuida do armazenamento do café de sua própria colheita e de outros produtores da região. “Exportamos café há muitos anos por meio de traders para países como Austrália, Japão, Alemanha e Estados Unidos”, diz Lucas.

    Eles até criaram sua própria marca para remunerar melhor as sacas de café. “Agora estamos torrando nosso próprio café para nossa marca própria. Já temos torrefação, classificador eletrônico de grãos e laboratório de cafés especiais”, conta Lucas.

    A sustentabilidade é uma alta prioridade para a empresa. A energia solar é utilizada em cerca de 80% de todas as atividades da empresa. Atualmente, os painéis solares produzem cerca de 30.000 quilowatts-hora por mês.

    Irrigação no Brasil

    A RENAI (Rede Nacional de Irrigantes, ou Rede Nacional de Irrigantes) diz que a agricultura irrigada cresceu significativamente no Brasil nos últimos anos.

    Segundo o Atlas da Irrigação, a área irrigada no país hoje é de 8,2 milhões de hectares, o que ainda representa apenas 3% da área utilizada para agricultura e pecuária no Brasil.

    “O Brasil pode atingir cerca de 55 milhões de hectares de áreas irrigadas, que é o maior potencial de crescimento global”, estima Lineu Rodrigues, fundador e coordenador da RENAI.

    Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), a irrigação deve crescer 45% no país apenas até 2030. “O Brasil é um dos poucos países que consegue aumentar sua produção agrícola preservando o meio ambiente. Temos mais de 12% das reservas globais de água doce e algumas das maiores bacias hidrográficas do mundo”, acrescenta Rodrigues.

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