World Agritech Summit: “agro pode ser herói das mudanças climáticas”
Inovação para a sustentabilidade é destaque nos primeiros painéis do evento internacional que ocorre hoje e amanhã em São Paulo

Conceito de agricultura regenerativa ainda "assusta" pequenos e médios produtores
Boa parte da fina-flor da inovação agro no continente está reunida em São Paulo, entre hoje e amanhã, na terceira edição World Agritech Summit South America.
Apesar das várias frentes tecnológicas para o setor, a sustentabilidade foi o foco principal nos painéis realizados na manhã de hoje.
Não era para menos já que inovação e sustentabilidade certamente caminham de mãos dadas. É difícil imaginar, no contexto atual, uma nova tecnologia agropecuária que não considere aspectos como pegada de carbono, otimização do uso de insumos ou, de forma mais ampla, a eficiência em todos os elos da cadeia.
O Agrofy News entrevistou alguns palestrantes sobre o tema e a tônica é de que a adoção da agricultura sustentável e regenerativa avança em passos definitivos, mas em ritmo ainda mais lento do que o desejável.
Afinal, segundo relatórios da ONU, é preciso reduzir as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) drasticamente a fim de evitar o agravamento das mudanças climáticas, que poderiam ser ainda mais dramáticas em diversas partes do planeta.
Aline Tristão Bernardes, chefe de sustentabilidade na Soleum, as grandes empresas e grupos têm condições de avançar na promoção da agricultura regenerativa mais rápido.
“Quando você traz para o pequeno e médio produtor, há questões até de informação ou culturais para isso. Dou o exemplo da macaúba, que pode produzir óleo substituto ao de palma e diversos outros produtos, mas ainda é vista como praga”, conta.
Em relação aos pequenos e médios, até mesmo o nome “agricultura regenerativa” pode gerar resistência. Para Fabiana Munhoz, gerente de projetos sênior da reNature, muitos deles associam o conceito à produção orgânica e, assim, criam resistência ao assunto.
“Quando começamos a falar sobre a agricultura regenerativa, o agricultor ainda tem pouco conhecimento e pouco lugar para se informar. O conceito assusta um pouco ainda. Mas quando começam a escutar, eles veem que já têm algumas práticas e enxergam o potencial”, comenta.
Já Daniel Baeta, CEO da Luxor Agro, previa que a adoção da agricultura regenerativa tivesse o ritmo atual, por diversos fatores, mas o que vai fazer os produtores adotarem é eles terem certeza sobre sua viabilidade e lucratividade.
“A adoção da agricultura regenerativa é um processo. Ainda há coisas que precisamos desenvolver e outras que precisamos apenas provar que são mais lucrativas que as práticas tradicionais. Provar isso requer tempo, apesar de não termos muito tempo antes que o meio ambiente obrigue o produtor a mudar”, ponderou.
Kalob Willians, COO da 12Tree, acredita que a nova geração de produtores é mais rápida, mas afirma ser difícil mensurar o ritmo de adoção destes conceitos em escala global.
“A adoção por parte da nova geração de produtores é um ponto muito positivo. Eu acredito que vivemos um ponto de inflexão neste momento, agora mesmo. Há cinco anos, muito pouca gente falava sobre o tema. Hoje, não. A adoção será exponencial na próxima década”, opina.
Agricultura regenerativa
O conceito de agricultura regenerativa inclui práticas “ecológicas”, mas está longe de poder ser comparado a algo como a agricultura orgânica ou artesanal. Na prática, ele inclui as mais avançadas tecnologias, seja em insumos, maquinários e manejo, a fim de aumentar o potencial produtivo de forma sustentável.
Em outras palavras, a ciência, agtechs e as empresas de tecnologia mais diversas descobriram que quando a natureza funciona melhor – solo, fauna, flora, recursos hídricos e etc -, a agricultura também entrega mais produtividade, longevidade, economia e, também, garante mercados e melhora a imagem da produção na sociedade.
Neste sentido, o setor agropecuário, inclusive, poderá ser um “herói” em relação a mitigação dos fatores que levam às mudanças climáticas. Sobre este tema, todos os palestrantes mostraram-se otimistas.
Sim, o agro pode ser herói, e não mais apontado como vilão, talvez na questão que mais preocupa a sociedade global em nossos dias.
