Brasil deve ultrapassar EUA em exportação de milho, diz estudo

    A estimativa foi feita pela Associação Nacional dos Produtores de Milho dos EUA (NCGA)

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    Participação brasileira nas exportações globais de milho iria de 8,6% na safra 2010/2011 para 30,2% na safra 2022/2023. (Foto - Wenderson Araujo/Trilux)

    Participação brasileira nas exportações globais de milho iria de 8,6% na safra 2010/2011 para 30,2% na safra 2022/2023. (Foto - Wenderson Araujo/Trilux)

    01deAgostode2023ás11:51

    No comércio agrícola mundial, Brasil e Estados Unidos travam uma disputa acirrada na safra 2022/2023 de milho quando se fala em exportações.

    Segundo uma estimativa feita por um estudo realizado pela Associação Nacional dos Produtores de Milho dos EUA (NCGA), o Brasil vai ultrapassar os EUA em termos de exportação desse grão.

    Para isso, porém, o estudo aponta que o Brasil terá que superar desafios para manter seu crescimento no mercado global.

    Crescimento e causas

    Desde 2010, o Brasil apresenta um crescimento notável em sua produção de milho, aumentando em mais de 500% a quantidade exportada do grão.

    De acordo com as projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a participação brasileira nas exportações globais de milho iria de 8,6% na safra 2010/2011 para 30,2% na safra 2022/2023.

    Uma das razões para a previsão de que o Brasil deixará os EUA para trás em exportações é a queda na produção norte-americana causada por condições de seca.

    O estudo da NCGA aponta que, em 2012/2013, o Brasil já assumiu a liderança nas exportações de milho quando os EUA enfrentaram uma redução significativa em sua produção devido a adversidades climáticas.

    Outras questões

    A tendência de liderança do Brasil nas exportações já vinha sendo vislumbrada também devido a outras questões, de acordo com a avaliação do diretor da Abramilho, Paulo Bertolini.

    “Alguns fatores, como o cultivo conjunto de soja na primeira safra e do milho na segunda safra, têm influenciado diretamente o aumento das produções. Todas as melhorias genéticas da soja e aumento da velocidade do ciclo, por exemplo, são refletidas diretamente no milho, que é a cultura seguinte”, explica.

    Impactos

    O estudo, entretanto, mostra alguns fatores que podem impactar a continuidade do crescimento das exportações brasileiras de milho.

    Um deles é a sustentabilidade da produção. Embora o Brasil tenha aumentado sua área de produção de milho em cerca de 6,5% ao ano nos últimos cinco anos, o estudo destaca que 80% das novas áreas de cultivo entre 2000 e 2014 eram pastagens reaproveitadas.

    Outro fator apontado: a quantidade de fertilizantes utilizados por hectare pelos produtores de milho brasileiros é 112% maior do que a dos agricultores dos EUA, embora a produtividade ainda seja inferior.

    O alto índice de uso de sementes geneticamente modificadas no Brasil, atingindo 95% da safra de milho em 2022/2023, um número semelhante ao dos EUA, é outro ponto sinalizado.

    Infraestrutura

    Outro aspecto relevante é a infraestrutura. Enquanto 60% dos grãos no Brasil são transportados por caminhões, índice equivalente ao dos EUA, a malha rodoviária brasileira é consideravelmente menor e menos pavimentada, representando um obstáculo para o escoamento eficiente da produção.

    Ainda, o país enfrenta um déficit na capacidade de armazenamento de grãos, com um aumento de apenas 35% na capacidade entre 2010 e 2022, que não acompanhou o crescimento de 82% na produção no mesmo período.

    Por último, a publicação alerta para a demanda interna crescente de milho para a produção de etanol, o que poderia limitar as futuras exportações brasileiras do grão.

    Dados do USDA apontam que a produção de etanol de milho no Brasil teve um salto significativo de 44 milhões de litros para 4,4 bilhões de litros entre 2014 e 2022. O aumento do volume de milho destinado à produção de etanol pode restringir a disponibilidade para o mercado internacional, impactando as exportações.

    Maior produtividade

    A segunda safra de milho no Brasil avança nesta temporada com resultados de produtividade “surpreendentes”. A informação foi divulgada pelo especialista André Pessôa, da Agroconsult na semana passada.  

    Segundo os números divulgados pela consultoria Agroconsult, a produção de milho segunda safra chegará a 107,2 milhões de toneladas, volume 16,1% acima da temporada passada, em área de 16,9 milhões de hectares.

    Isso significa uma produtividade média nacional estimada em 105,5 sacas por hectare, ou 14,8% sobre a safra passada. Caso a previsão seja confirmada, seria a maior produtividade de milho da história do Brasil com 6.330 quilos por hectare.

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