“Agro brasileiro vê sua imagem internacional com óculos cor de rosa”, diz presidente da Cargill
Paulo Sousa participou do painel Governança e Perspectivas no Congresso Brasileiro do Agronegócio

“Tivemos uma safra abençoada nesta temporada, mas nem sempre será assim", disse o dirigente da Cargill
O presidente da Cargill, Paulo Sousa, considera que o agronegócio brasileiro minimiza a gravidade da imagem negativa que o setor tem no exterior. A avaliação foi compartilhada durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, que ocorre hoje em São Paulo.
“Nós estamos anos atrasados em relação a construir a imagem do agronegócio. Se temos muita realização positiva para mostrar ao mundo, nós falamos entre nós e a imagem já construída no exterior é muito negativa. O agronegócio se vê com uma lente cor de rosa no tema da sustentabilidade”, disse.
Para ele, no entanto, não se trata apenas de imagem e, sim, além de ampliar as boas práticas e evidenciá-las, controlar e, se possível, eliminar o desmatamento e as queimadas.
"A prática da agropecuária brasileira, naturalmente, já é sustentável há décadas. No exterior, apresentam a agricultura regenerativa como uma grande novidade, mas o produtor brasileiro faz isso como padrão", argumentou.
O executivo da Cargill opinou que a Lei ou Acordo Verde da União Europeia (UE) é uma das consequências pois a comunidade internacional é muito mais sensível a imagens de queimadas do que todo os aspectos positivos, até mesmo ambientais, do setor no Brasil.
“Tivemos uma safra abençoada nesta temporada, mas nem sempre será assim. É preciso garantir a preferência dos mercados. A questão ambiental pode gerar cada vez mais problemas ao setor no Brasil. No quesito da narrativa, nós já perdemos a batalha”, acrescentou.
Segundo ele, algumas traders adiantaram-se em práticas para garantir a rastreabilidade de seus produtos e, assim, salvaguardar mercados e clientes. Quanto isso, o setor no Brasil ainda tem muito a avançar.
“Compete ao governo fazer cumprir a lei e não a empresas ou os representantes do setor. Se a lei ambiental brasileira for cumprida rigorosamente, poderemos trazer mais credibilidade aos números da sustentabilidade do setor, que são muitos”, comentou.
