Brasil pede que China facilite habilitação de novos frigoríficos

    Exportação das carnes de aves, suínos e bovinos para o país asiático seria pelo "pré-listing

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    Fávaro também quer o reconhecimento do status do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica

    Fávaro também quer o reconhecimento do status do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica

    24deAgostode2023ás17:40

    O Brasil vai pedir para a China que a habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação das carnes de aves, suínos e bovinos para o país asiático ocorra pelo "pré-listing". A afirmação foi feita pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, hoje (dia 24) durante a sessão plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), em Brasília.

    Por este sistema, o governo brasileiro certifica que os estabelecimentos seguem as regras previstas no protocolo chinês e autoriza o acesso ao mercado asiático.

    “O que vai ficando pronto aqui, o Brasil coloca no sistema e já fica habilitado. Esse é um pleito importante que o país ganharia muito mercado. Os Estados Unidos já tem esse reconhecimento e como nós somos o principal parceiro comercial do agro, ter a possibilidade de fornecer e eles reconhecerem a pré-listing brasileira nos daria mais competitividade e ganho de mercado”, disse o ministro.

    Em contrapartida, a China pediu para o Brasil reduzir o número de frigoríficos da lista de pedidos para novas habilitações. Segundo Fávaro, o governo está na fase de apresentação de uma lista com 62 plantas brasileiras para serem habilitadas e uma outra relação de mais 15 plantas em avaliação.

    “Com isso, vamos chamar as entidades representativas de classe dos frigoríficos, para então reduzirmos essa lista para que nós possamos ter novas plantas habilitadas ainda neste ano”.

    O Brasil busca também o reconhecimento do status do país como zona livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica, o que poderia ampliar significativamente a oportunidade de negócios com a China, além da a regionalização para a gripe aviária na exportação de carnes de aves. Atualmente, apenas estabelecimentos de Santa Catarina têm esse aval.

    A China é o principal parceiro comercial do Brasil, sendo o destino principal das exportações brasileiras de proteína animal.

    Sorgo e gergelim

    Nas próximas reuniões da Cosban, o ministro pretende negociar a abertura do mercado chinês para a noz pecã brasileira e o memorando de entendimento com relação aos pesticidas, que amplia a transparência e confiança em relação aos produtos oriundos da China.

    “Temos negociações avançadas na liberação do grãos, como sorgo e gergelim e também uva fresca", revelou Fávaro.

    Ontem (dia 24), o Mapa anunciou a certificação oficial do algodão brasileiro para Chinatex, estatal chinesa com foco na indústria têxtil. A certificação garante a veracidade dos laudos dos laboratórios de análises de fibras dentro dos padrões internacionais de qualidade com chancela do Mapa.

    “O Ministério da Agricultura está com laboratório atestando a qualidade do algodão, nós implementamos e nesta semana entregamos o primeiro certificado de qualidade à Chinatex, que é a maior compradora de algodão brasileiro”, disse Fávaro hoje.

    A China compra 30% do algodão brasileiro que consome

    Conquistas

    Entre os diversos resultados já conquistados da cooperação com a China, o ministro citou o levantamento do embargo da carne bovina, a habilitação de quatro novas plantas frigoríficas, a abertura de mercado para farinhas de proteína animal e a certificação do algodão brasileiro.

    De acordo com Fávaro, a retirada do embargo das liberações de carnes bovinas por conta do caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecida como o mal da vaca louca, ocorrida em fevereiro deste ano, é um grande trabalho realizado pelo governo federal.

    “Inclusive a liberação dos estoques remanescentes da carne foi uma grande conquista para este ano”, comemorou Fávaro.

    O ministro lembrou que a habilitação de quatro novas plantas frigoríficas e o levantamento da suspensão de outras duas, que estavam suspensas há pelo menos três anos e voltaram às exportações, foram outras grandes conquistas.

    “Também ampliamos exportações de farinhas de proteína animal. Este protocolo foi assinado na visita do presidente Lula àquele país, em abril deste ano”.

    Em seu discurso, o ministro informou que já foi assinado o protocolo de certificação eletrônica e, desta forma, o Brasil e China vão vencer a burocracia e aumentar a competitividade.

    Pastagens

    Brasil e China também estão em tratativas para investimento chinês no projeto que visa a recuperação e conversão de áreas de pastagens que permitem dobrar a área de produção de alimentos do Brasil sem desmatamento.

    Ele também ressaltou que os dois países, Brasil e China, têm o respeito recíproco com o compromisso ambiental de preservação do meio ambiente.

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