Avanço nunca visto do greening alarma setor citrícola do Brasil
Doença devastou produção de citros nos Estados Unidos, causando bilhões de prejuízo

Desde que a doença foi identificada na Flórida há 25 anos, a produção estadunidense de laranjas caiu 95%. (foto - Fundecitrus)
O greening, doença que devastou a produção de laranjas nos Estados Unidos, já acomete 38% dos pomares do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro.
A informação está no levantamento da Fundecitros, divulgado nesta semana, e atesta a maior incidência de greening da série histórica iniciada em 2008. Em relação ao ano passado, houve um aumento de 56% no percentual de árvores atingidas.
Devido a isso, o setor ampliou os esforços para mobilização e conscientização dos produtores sobre o assunto.
O Fundecitrus lançou hoje o filme institucional de conscientização "Urgência", em mais um desdobramento da campanha "Greening é coisa séria", que começou a ser veiculada em janeiro do ano passado.
No filme, dez representantes do setor citrícola falam sobre as dimensões econômicas, sociais, ambientais e históricas da citricultura de São Paulo e Minas Gerais, apontando tudo que está em risco caso o greening não seja controlado imediatamente.
Luta contra o tempo
O gerente-geral do Fundecitrus, Juliano Ayres, aponta uma série de medidas para enfrentar a situação como a suspensão temporária do uso de piretroides e neonicotinoides e da rotação dos modos de ação dos inseticidas usados para controlar o psilídeo.
Ele também disse que devem ser observadas ainda a frequência das aplicações (com intervalo máximo de dez dias entre uma pulverização e outra), a qualidade da cobertura, a verificação da qualidade e a eliminação de plantas doentes.
"O greening é a doença mais devastadora da citricultura. O controle dessa doença não pode ser nota 9,9. Tem de ser nota dez. Nós temos de ser perfeitos. E já. O tempo não é mais um aliado nosso. Ao contrário: o tempo agora é mais um inimigo", completa.
Como combater o greening em 10 passos?
- Planejamento do plantio e da renovação do pomar
- Aquisição de mudas sadias
- Aceleração do crescimento e antecipação da produtividade da planta
- Inspeção frequente de todas as plantas do pomar
- Erradicação das plantas doentes
- Monitoramento do psilídeo
- Controle do psilídeo pela aplicação de inseticida sistêmico
- Cuidado especial nas bordas dos pomares
- Participação no manejo regional
- Atuação conjunta com os vizinhos
Brasil tem 70% do mercado mundial
Para se ter ideia, de acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), a laranja é a fruta mais cultivada no país, com 800 mil hectares plantados, principalmente em São Paulo e Minas Gerais.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) mostram que, apenas na safra 2022/2023, a receita das exportações de suco de laranja concentrado e congelados do Brasil cresceu 16%, gerando 2,04 bilhões de dólares.
Não por acaso, o Brasil é o maior produtor e exportador de laranja do mundo. As estimativas indicam que o país produz cerca de 7 em cada 10 copos de suco consumidos atualmente no mundo.
Para o presidente do Fundecitrus, Lourival Carmo Monaco, o greening não é só um problema fitossanitário: é também um problema econômico e social. "É uma doença que elimina pomares e empregos. Por isso, temos de envolver toda a sociedade no enfrentamento do greening", diz Monaco.
Doença devastadora
A doença é causada pelo psilídeo Diaphorina citri, inseto vetor da bactéria Candidatus Liberibacter spp.,, e tem grande relevância para a produção de laranja, limão e tangerina.
Ele transmite a doença bacteriana que mata lentamente a árvore e resulta em frutos verdes, amargos e deformados, impróprios para venda.
A praga é a mais destrutiva doença dos citros no Brasil e a maior ameaça à citricultura mundial, em função da dificuldade de controle, da rápida disseminação e por ser altamente destrutiva.
Para se ter ideia, desde que a doença foi identificada na Flórida há 25 anos, a produção estadunidense de laranjas caiu 95%. Mas não só lá, o greening também dizimou a produtividade e a qualidade dos frutos em outros países, como a Espanha.
