Justiça brasileira condena Cargill por contribuir com rede de trabalho infantil

    Empresa deverá cumprir seis obrigações por caso em fazendas de cacau

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    Justiça brasileira condena Cargill por contribuir com rede de trabalho infantil
    27deSetembrode2023ás10:32

    Uma das maiores exportadoras de commodities, a Cargill foi condenada, em primeira instância, pela Justiça do Trabalho por manter como fornecedores de cacau produtores rurais que praticavam trabalho infantil e trabalho análogo à escravidão.

    A ação foi movida contra a empresa pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo o MPT, como forma de compensação, a companhia deverá pagar R$ 600 mil, a título de dano moral coletivo, e implementar medidas, como a formalização de contratos com todos os produtores e fornecedores do fruto, a principal matéria-prima na fabricação de chocolates e manteiga de cacau comercializados por ela. Ao todo, são seis as obrigações impostas à empresa.

    A Justiça do Trabalho também determinou que a Cargill contribua para a fiscalização desse tipo de crime. A empresa precisará, ainda, manter uma campanha publicitária de combate ao trabalho análogo à escravidão e ao trabalho infantil, por, pelo menos, três anos, podendo ser multada em R$ 10 mil, caso descumpra as ordens estabelecidas.

    Na Bahia e Pará

    A juíza Naiara Lage Pereira, que julgou o caso, argumentou que não há dúvidas sobre a perpetração de ilegalidades nas fazendas da Bahia e do Pará, assim como a associação entre os fornecedores flagrados e a Cargill.

    No entendimento da magistrada, destaca o MPT,  “ao privilegiar a contratação através de repassadores, a demandada [Cargill] fomenta cada vez mais o chamado sistema de terceirização material, dando margem para ampliar a precarização das relações de trabalho.”

    A Cargill afirmou para Agência Brasil que não pode comentar detalhes do processo e explicou que não tolera tráfico humano, trabalho forçado ou infantil em suas operações ou cadeia de suprimentos" e que procura antever "potenciais problemas", enquanto "trabalha ativamente para proteger os direitos humanos". A empresa recorrerá ao Tribunal Superior do Trabalho.

    "Apoiamos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) de promover trabalho decente para todos, incluindo o objetivo de eliminar o trabalho infantil. No Brasil, todos os fornecedores são verificados em relação às listas de embargo do governo e, se forem identificadas violações, tomamos medidas imediatas para suspender o fornecedor", escreveu.

    "Em mais de seus 56 anos presente no Brasil, a Cargill tem demonstrado esse comprometimento na observância e conformidade com todas as leis vigentes e aplicáveis aos seus negócios. Levamos esse compromisso a sério e exigimos que nossos fornecedores e parceiros se juntem a nós na priorização da segurança, bem-estar e dignidade dos indivíduos", acrescentou a companhia.

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