Carro movido a etanol no Brasil emite menos CO2 que elétrico na Europa

    Teste dinâmico considerou também o tipo de matriz energética de cada região

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    O etanol é um forte aliado na redução das emissões de CO2 no Brasil. (foto - divulgação)

    O etanol é um forte aliado na redução das emissões de CO2 no Brasil. (foto - divulgação)

    01deNovembrode2023ás12:50

    Os carros movidos a etanol no Brasil emitem menos CO2 do que os carros elétricos na Europa. A frase pode surpreender por ir contra o senso comum, mas é o resultado de um estudo que comparou fontes de energia para veículos de passeio.

    A empresa Stellantis simulou em teste dinâmico um veículo quando alimentado com quatro fontes distintas de energia, a fim de mensurar a emissão total de CO2 em cada situação.

    O automóvel foi abastecido com etanol e comparado em tempo real com a mesma situação de rodagem: com gasolina tipo C (E27); 100% elétrico (BEV), abastecido na matriz energética brasileira (principalmente de hidrelétricas), e 100% elétrico (BEV) abastecido na matriz energética europeia (por combustíveis fósseis e usinas nucleares).

    Na comparação, foram consideradas não apenas a emissão de CO2 associada à propulsão do veículo, mas as emissões correspondentes à produção do combustível ou geração da energia utilizada, considerando o ciclo de vida do veículo.

    Nesta metodologia de análise está incluído o conceito do "berço ao túmulo", que considera o ciclo de vida completo do automóvel.

    Durante o teste comparativo, o veículo percorreu 240,49 km.

    Qual modelo de veículo emite menos CO2 equivalente?

    • Gasolina (E27): 60,64 kg CO2eq
    • 100% elétrico (BEV) com energia europeia: 30,41 kg CO2eq
    • Etanol (E100): 25,79 kg CO2eq
    • 100% elétrico (BEV) com energia brasileira: 21,45 kg CO2eq

    “Os resultados comprovam as vantagens comparativas da matriz energética brasileira, principalmente a importância dos biocombustíveis para uma mobilidade mais sustentável”, analisou Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul.

    Quando considerado o saldo de emissões de todo o ciclo, o veículo movido a etanol apresenta vantagens inclusive em comparação com um veículo elétrico à bateria abastecido com energia gerada na Europa, consideradas as características da matriz energética europeia.

    Quando comparado à gasolina, o etanol se destaca ainda mais. O saldo final mostra que, na comparação entre os dois combustíveis, o uso do etanol evitou a emissão de 34,85 kg de CO2eq no trajeto, o equivalente a 144 gramas de CO2eq por quilômetro rodado.

    O veículo abastecido com etanol reduz mais de 60% a pegada de carbono.

    Bio-electro

    A matriz energética brasileira, em que se destacam os biocombustíveis e a energia elétrica gerada por meios renováveis, é uma vantagem comparativa do país, que pode ser usada para promover uma mobilidade mais sustentável.

    A empresa trabalha a opção estratégica de desenvolver no Brasil soluções, tecnologias e componentes para veículos híbridos que combinem etanol e eletrificação.

    O modelo Bio-electro articula em torno da Stellantis um grande conjunto de parcerias estratégicas, visando acelerar o desenvolvimento e implementação de novas soluções de motopropulsão e de descarbonização da mobilidade.

     

    A análise regionalizada mostra que a necessidade de descarbonização do Brasil se dá em uma realidade específica e distinta de outras regiões do planeta.

    Na Europa, a necessidade da descarbonização está focada na indústria automotiva e baseada em uma rota tecnológica de eletrificação em função das próprias condições europeias.

    A matriz energética local tem grande participação dos combustíveis fósseis, o que impõe limitações às opções de descarbonização, levando à opção imediata pela mobilidade eletrificada. O custo financeiro deste caminho é elevado.

    A realidade brasileira é muito diferente. A matriz energética do Brasil é mais sustentável, devido ao uso de biocombustíveis e da geração de energia elétrica por meios renováveis. Esta característica da matriz energética abre para o país um leque de opções de soluções de mobilidade, em condições privilegiadas.

    O etanol é um forte aliado na redução das emissões de CO2 no Brasil. Sua combinação com a eletrificação pode ser uma alternativa competitiva de transição para a difusão da eletrificação a preços acessíveis, além da capacidade de a empresa atingir as metas de emissões.

    Quando considerado no conceito well-to-wheel (no caso, do campo à roda), o etanol é altamente eficiente quanto às emissões, porque a cana-de-açúcar em seu ciclo de desenvolvimento vegetal absorve de 70% a 80% do CO2 liberado na produção e queima do etanol combustível.

    O Brasil tem quatro décadas de acúmulo de tecnologia nesta área e intensificar o uso do etanol é uma decisão inteligente, que leva em conta a imensa plataforma produtiva, logística e de distribuição já implantada no país, além da frota flex circulante.

    A combinação do etanol com a eletrificação em propulsão híbrida, que combina motor a combustão e motor elétrico, é uma alternativa adequada para o país como transição para uma mobilidade sustentável de baixo carbono, pois permitirá o acesso de faixas maiores do mercado consumidor a tecnologias de baixa emissão.

    Os elétricos, embora sejam eficientes no processo de descarbonização, têm um custo muito elevado, que impede sua aquisição por amplas faixas de consumidores.

    A solução 100% elétrica ainda não tem a escala necessária e precisa ser desenvolvida e aprimorada, para que possa entrar como alternativa de massa em uma estratégia efetiva de descarbonização em um país em desenvolvimento com características de renda como as do Brasil.

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