“O Brasil é muito mais sustentável que a Europa”, diz embaixador do Brasil
Roberto Jaguaribe apontou narrativa distorcida sobre o agro brasileiro na Agritechnica, na Alemanha

"O mercado europeu é fechado por protecionismo. Não há nenhuma outra razão”, sentenciou o embaixador do Brasil na Alemanha, Roberto Jaguaribe
O embaixador do Brasil na Alemanha, Roberto Jaguaribe Gomes de Mattos, criticou a distorção entre a narrativa na Europa sobre a produção agropecuária brasileira e a realidade factual quanto à sustentabilidade ambiental.
Ele palestrou na conferência “América Latina, é hora para investir?”, realizada hoje (dia 14), durante a Agritechnica, na Alemanha, da qual também participaram representantes da Argentina e do Uruguai, para cerca de 100 pessoas entre empresários, agricultores e jornalistas.
O diplomata, principal representante do Brasil no país desde 2018, foi contundente ao afirmar que "o Brasil é muito, mas muito mais, sustentável que a Europa".

“O Brasil tem muitos desafios que precisa superar e, particularmente, temos o compromisso de zerar o desmatamento, mas a narrativa fora é muito negativa. Ela quer criar uma associação direta da agricultura brasileira com o desmatamento. Embora ela tenha alguma relação, sobretudo em alguns estados do norte do Brasil, o grosso da agricultura brasileira não tem nada a ver com o desmatamento”, ponderou.
O Embaixador Roberto Jaguaribe argumentou que a Europa tem demanda de por sustentação do resto do mundo, seja em energia, seja em matéria prima e até em produtos agrícolas.
“O Brasil, ao contrário, é um exportador de sustentabilidade, seja de energia, seja de matéria prima, seja de agricultura. Então, é preciso colocar as coisas numa perspectiva mais adequada”, avançou.
Segundo ele, o fato de o Brasil ter desafios, como no caso do desmatamento, isso não dá ao europeu o direito de achar que tem uma condição ambiental melhor porque “é justamente ao contrário”.
Protecionismo europeu
Além de apresentar dados e argumentos, o diplomata analisou os fatores que motivam as decisões políticas da Europa, e até mesmo o discurso sobre o agronegócio brasileiro, bem como o posicionamento do Brasil.
“O Brasil gostaria de ter acesso maior ao mercado europeu, mas já sabemos que ele é fechado por razões puras de protecionismo. Não há nenhuma outra razão”, sentenciou.
O embaixador Roberto Jaguaribe também disse compreender a resistência europeia pois “há um elemento social envolvido na agricultura tradicional que é mais cara, não tem como competir em muitas frentes”.
Acordo Mercosul e União Europeia
A Europa representa o segundo maior destino das exportações agropecuárias do Brasil e, por isso, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia é importante.
“A gente quer fazer o acordo, porque vai abrir algumas brechas, mas sobretudo porque vai beneficiar vários outros setores. Mas na agricultura, o que se ganha com o acordo é relativamente pouco e em alguns produtos específicos, que eles não produzem o suficiente aqui. Naquilo que eles produzem, não vai entrar”, avaliou.
Ele citou frutas tropicais, café, suco de laranja, soja e carne e acrescentou que isso não significa que o Brasil “vai invadir tudo” porque “o acordo não faz concessões muito significativas”.
“Estamos fazendo um esforço evidente para isso (fechar o acordo). A Alemanha é o país chave porque é o país mais importante da Europa e está querendo o acordo. Isso nos ajuda a pensar de que é possível, mas nós não temos garantia”, concluiu.
