UE e Rússia já desviaram 520 mil toneladas de trigo para driblar ataques houthis
Segundo a OMC, cerca de 17% do comércio global de grãos passa preferencialmente pelo Mar Vermelho

Após os ataques dos houthis, 42% dos carregamentos europeus ou russos escolheram rotas alternativas ao Canal de Suez e o Mar Vermelho. (foto - divulgação)
A União Europeia (UE) e a Rússia já desviaram mais de 520 mil toneladas de grãos para outras rotas marítimas a fim de evitar os ataques dos rebeldes houthis no Mar Vermelho.
Os dados da Organização Mundial de Comércio (OMC) indicam que 42% dos carregamentos europeus ou russos escolheram rotas alternativas ao Canal de Suez, única passagem marítima entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
A OMC estima que cerca de 76 milhões de toneladas de grãos sejam enviadas anualmente da Europa, da Federação Russa e da Ucrânia para a Ásia e a África Oriental, representando 17% do comércio global dessas mercadorias.
A rota do trigo
No caso do trigo, por exemplo, apenas cerca de 3% dos embarques não usavam o Canal de Suez antes do conflito. Durante a primeira quinzena de janeiro, estima-se que a parcela de embarques utilizando outros mares tenha aumentado para 42%.
Após os ataques dos houthis, os embarques de trigo da UE através de outras rotas alternativas ao Canal de Suez totalizaram 330.000 toneladas e da Rússia, cerca de 190 mil toneladas. O volume não passou de 50 mil toneladas no mesmo período do ano passado.

Os dados da OMC também indicam desaceleração nas importações mundiais de trigo transportado por via marítima.
“Globalmente, o comércio mundial de trigo provou ser resiliente face aos recentes choques de mercado, incluindo a pandemia da COVID-19 e as hostilidades no Mar Negro, sem grandes perturbações observadas nos transportes marítimos a granel”, disse o órgão em nota.
A entidade supranacional, inclusive, desenvolveu, o Painel do Trigo em 2023 como resposta às crescentes preocupações globais sobre a segurança alimentar.
O painel fornece atualizações quinzenais abrangentes sobre o comércio marítimo internacional de trigo, que constitui mais de 80% do volume total negociado.
Quem são os houthis?
A origem do grupo fundamentalista religioso remonta ao final da década de 1990 no norte do Iêmen. Naquele período, a família Houthi criou um movimento de revitalização religiosa da seita Zaydi do Islã Xiita, que outrora governou o país, mas que deixou o centro do norte empobrecido e marginalizado.
À medida que aumentava o atrito com o governo, travaram uma série de guerras de guerrilha com o exército nacional e um breve conflito fronteiriço com a potência sunita, a Arábia Saudita.

Em outubro do ano passado, os Houthis se juntaram à guerra contra Israel ao lado do grupo radical islâmico Hamas, mesmo tendo sua base a mais de 1,6 mil km do conflito.
Contudo, eles despertaram a preocupação do mundo e provocaram um conflito com os Estados Unidos e o Reino Unido a partir de dezembro, quando passaram a atacar navios no estreito de Mandeb. O local é passagem obrigatória para saída do Mar Vermelho ao Mar Arábico.
