Protesto de agricultores avança por ao menos sete países na Europa
Agricultora e filha morrem em acidente de carro em um dos bloqueios na França
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Os protestos de agricultores continuam após semanas e vem se espalhando por diversos países da Europa. Iniciadas de forma isolada, as mobilizações já foram registradas nos Países Baixos (Holanda), Alemanha, Bélgica, França, Polônia, Romênia e Itália na maior manifestação de produtores da história recente.
As cenas de protesto repetem-se em todos estes países com ocupação de marcos simbólicos, obstrução de estradas e até mesmo ações mais agressivas como descarte de esterco em prédios públicos na França.
Os agricultores franceses estão entre os mais mobilizados. Além de obstruir estradas no país desde a última segunda-feira, há informações de que “tratoraços” estão sendo descolados para Bruxelas, na Bélgica, umas das sedes do Parlamento Europeu.

A poucos meses das eleições europeias, os governos nacionais temem uma conflagração porque, dos Países Baixos à Roménia, passando por Áustria e Alemanha, os agricultores intensificam suas suas ações.
Reivindicações
As principais reivindicações são os aumentos dos custos de produção, aumento de impostos, exigências ambientais crescentes e “abusivas” previstas no Acordo Verde da União Europeia (UE).
O problema não é buscar a sustentabilidade, mas sim, culpar a agricultura e a pecuária sobre isso. Na verdade, a insatisfação existe há mais de um ano e teve sua primeira mobilização nos Países Baixos, onde o governo anunciou que pretendia reduzir as emissões em 50%.
Na Alemanha, os agricultores têm-se mobilizado massivamente desde o início de janeiro contra a reforma da tributação do gasóleo agrícola, que prevê a partir de 2026 a retirada de uma isenção de que beneficiavam.
Os agricultores alemães também protestam contra as crescentes obrigações ambientais impostas ao setor, o aumento dos seus custos de produção e os encargos administrativos que recaem sobre as suas explorações agrícolas.

Segundo a imprensa local, outro assunto que causa divisão: o fluxo de produtos agrícolas ucranianos para a UE desde a suspensão dos direitos aduaneiros em 2022.
A Romênia, um país de 19 milhões de habitantes vizinho da Ucrânia, está na linha da frente nesta demanda. Nos quatro cantos do país, de Timisoara à cidade de Afumati, os agricultores organizam operações caracóis todos os dias com buzinaços.
O primeiro ministro polonês, por exemplo, disse que pretende assinar um acordo com a Ucrânia para regular o trânsito e a exportação de produtos. Já em Bruxelas, um agricultor pendurou uma vaca de plástico, pintada com as cores da bandeira da UE, perto do Parlamento Europeu.

Agricultora e filha morrem em bloqueio
Uma agricultora francesa de 36 anos e sua filha de 14 anos morreram após seu carro colidir contra fardos de palha que bloqueavam uma rodovia na região de Tolouse, no Sul da França.
O marido está gravemente ferido em um hospital e três pessoas, todas de nacionalidade arménia, foram interrogadas por suspeita de homicídio culposo.

Ele era membro do sindicato dos agricultores FNSEA, cujo presidente Arnaud Rousseau disse que “neste momento particular que a agricultura enfrenta, é ainda mais difícil lidar com este tipo de tragédia”.