Indígenas invadem terminal da Cargill no Pará: entenda o caso e o que está em jogo

Ocupação em Santarém paralisa operações, provoca reação do agro e leva governo a suspender ações ligadas à dragagem no Tapajós

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(Foto - Apoena)

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23deFevereirode2026ás10:30

Uma mobilização no Pará ganhou destaque nos últimos dias após um grupo de indígenas invadir e ocupar o terminal portuário administrado pela multinacional norte-americana Cargill, em Santarém (PA), entre sexta-feira (20) e sábado (21).

Segundo os indígenas,  a ocupação ocorre diante da falta de resposta do governo federal à principal reivindicação do movimento: a revogação do decreto assinado pelo presidente Liz Inácio Lula da Silva em 28 de agosto de 2025.

O grupo também reagiu à ordem judicial que determinou a desocupação da área em até 48 horas a partir da notificação, realizada por um oficial de Justiça na sexta-feira (20).

O incidente vem interrompendo, desde então, as operações da multinacional no local, que movimenta grande parte da soja e do milho exportados pela região Norte, e levantou debates sobre a legalidade (ou não) de protestos deste tipo, contrários ao interesse do Governo Federal de usar rios amazônicos como rota para escoamento da produção.

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Na madrugada do sábado para domingo, quando os bloqueios foram intensificados, um grupo de pessoas vandalizou a fachada do escritório da Cargill, em São Paulo; pouco depois, indígenas entraram nas instalações administrativas do terminal, em Santarém.

A Cargill relatou que funcionários foram retirados de forma segura, ainda que tenha classificado os atos como “violentos”, com casos de depredação nas estruturas da empresa.

Programa Nacional de Desestatização

A ocupação é o resultado mais recente após mais de um mês de bloqueio das vias de acesso ao terminal pelo mesmo grupo indígena, que protesta contra o Decreto nº 12.600/2025, editado pelo governo federal, que inclui rios amazônicos, como o Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização (PND), o que resultaria no uso privado de rios amazônicos como canais de escoamento de produtos.