De A a Z: o que Rei do Gado já explicava sobre o agro e ainda vale hoje
Novela antecipou temas como terra, sucessão familiar e mercado que seguem atuais no campo brasileiro
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Uma das novelas mais emblemáticas da TV brasileira voltou e junto com ela, um retrato do agro que continua surpreendentemente atual.
Entre café, gado e conflitos por terra, Rei do Gado antecipou debates que ainda dominam o campo brasileiro, da sucessão familiar à reforma agrária.
Escrita por Benedito Ruy Barbosa, a trama não apenas contou uma história. Em horário nobre, desenhou um retrato complexo do agro. Um retrato que pode ser lido de A a Z.
O abecedário do agro em Rei do Gado
A — Aviação agrícola e Araguaia
A tecnologia já aparecia como solução no campo nos anos 30 e 40 no Brasil. Na primeira fase, Antônio Mezenga (Antônio Fagundes) cogita contratar um avião para pulverizar a lavoura afetada pela broca, doença que afetou sua lavoura de café. O avião é uma novidade na época.
A região do Araguaia também surge como símbolo de expansão e potencial produtivo.
B — Boi, broca e BHC
O boi representa o futuro do agro na novela. Ainda na primeira fase, Enrico Mezenga (Leonardo Brício) defende ao pai a venda dos cafezais para investir em gado no Centro-Oeste.
Ao mesmo tempo, a broca-do-café aparece como uma das principais ameaças à produção. O BHC, inseticida altamente tóxico hoje proibido, é citado como solução usada na época.O BHC (Hexacloreto de Benzeno), conhecido como "pó-de-broca", é um inseticida organoclorado altamente tóxico, proibido no Brasil desde 1985.
C — Café / Cafezal
A origem de tudo está no café, cultivado na terra vermelha do interior paulista. Antônio Mezenga e Giuseppe Berdinazzi constroem suas fortunas a partir da lavoura.
O apego à terra é simbólico: Mezenga diz ter nascido sob um pé de café e morre abraçado a ele. A cana-de-açúcar também aparece, com o retrato dos boias-frias antes da mecanização.

D — Dívida rural
A dificuldade de acesso a crédito já era realidade. Mezenga reclama da falta de apoio e da necessidade de contrair dívidas para manter a produção e custear a safra
“São tudo ladri”, dizia ao filho, ao falar do governo.
E — Êxodo rural
A novela expõe o deslocamento do campo para a cidade e as mudanças sociais no meio rural.
F — Fazenda
Mais que propriedade, a fazenda é símbolo de poder, identidade e herança. Após a morte de Giuseppe Berdinazzi, os filhos vendem as terras, inclusive para estrangeiros.
G — Gado, geada e guerra
Atividade principal, que move disputas, negócios e estratégias produtivas, é o centro da novela O gado domina a economia da trama. Mas o campo também enfrenta adversidades.