Cerca de 25% dos defensivos utilizados no Brasil são ilegais

    Dados foram apresentados em Workshop realizado pela CropLife Brasil (CLB)

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    Cerca de 25% dos defensivos utilizados no Brasil são ilegais
    25deAbrilde2024ás11:11

    Cerca de 25% dos defensivos agrícolas utilizados no Brasil são ilegais. Os dados foram apresentados ontem (dia 24) durante o Workshop sobre Agrotóxicos Ilegais realizado em Campinas (SP), promovido pela CropLife Brasil (CLB).

    Diante desta porcentagem, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que participou do encontro, mostrou os procedimentos adotados para combater a ilegalidade.

    Legislação recente da pasta alterou o valor da multa aplicada, passando do teto de R$ 40 mil para R$ 150 mil para casos considerados gravíssimos, como o contrabando, explicou a pasta com um dos fatores de combate.

    Além disso, atuar na descapitalização de organizações criminosas que atuam no contrabando ou falsificação de defensivos químicos e biológicos tem sido uma estratégia adotada pelo Mapa no combate às fraudes e crimes envolvendo o produto, de acordo com informações do ministério.

    Segundo o superintendente do ministério em São Paulo, Guilherme Campos, o setor produtivo cobra ações de combate à ilegalidade das autoridades competentes. “Vamos fazer a nossa parte para que o mercado de defensivos ilegais seja erradicado da atividade produtiva no campo”, disse.

    Ação integrada

    O auditor fiscal federal agropecuário, Julio Cesar Lima, chefe da Divisão de Fiscalização de Agrotóxicos e Afins, afirmou que as ações tomadas por diferentes atores, como polícia militar nos Estados, Polícia Rodoviária Federal, Ibama, Mapa, Receita Federal, Polícia Civil, Ministério Público, Polícia Federal, entre outras, acabam multiplicando o combate aos produtos ilegais.

    De acordo com ele, a recente inclusão do Mapa no Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), em 2019, incrementou a fiscalização sobre contrabando e adulteração de defensivos

    A divisão que Julio chefia já realizou nesses quatro anos 37 operações e 26 treinamentos teórico e em serviço para instituições parceiras.

    “Eventos como este de Campinas, onde explicamos desde o conceito de defensivos até as rotas de contrabando, acabam estimulando ainda mais as ações de repressão”, afirmou.

    Segundo o auditor do Mapa, no passado esses produtos entravam no Brasil pelos países vizinhos, mas agora já são descobertos produtos ilegais chegando em portos e aeroportos brasileiros.

    Com a ação integrada entre várias instituições, existe troca de informações e documentos oficiais que permitem ampliar as punições.

    Mesmo que o Mapa, por exemplo, não tenha participado de uma determinada operação, os boletins de ocorrência ou autos de infração lavrados por outra instituição podem embasar o processo administrativo na instância do ministério. Desta forma, as penalidades previstas em diferentes legislações vão se acumulando.

    Armazenamento é problema

    A dificuldade de encontrar espaços disponíveis para armazenar os produtos ilegais apreendidos foi apontado com um gargalo também.

    Uma alternativa apresentada por Julio foi utilizar a estrutura de empresas de pesquisa que descartam corretamente seus componentes químicos. Esses resíduos são despejados em tanques, onde o líquido evapora e resta apenas a parte sólida, menos volumosa.

    Essa borra pode ser destinada à incineração, em uma condição mais favorável. O servidor sugeriu parcerias público-privadas para viabilizar essa medida. 

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