Organização dos Jogos Olímpicos de Paris marca “gol contra” ao reduzir carne para atletas
Paris-2024 erra alvo ao afirmar que proteína animal representa uma ameaça ambiental
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Os Jogos Olímpicos de Paris nem começaram, mas já se pode afirmar que houve um gol contra ao embarcar em uma jogada de marketing para lá de equivocada.
Isto porque o Comite Organizador das Olimpíadas, marcadas para julho deste ano, estabeleceram uma meta de reduzir a oferta de carne nas 13 milhões de refeições que serão servidas aos atletas e ao público.
Sem nenhum embasamento científico, a organização, jogando para a torcida para utilizar mais um “jargão esportivo”, alegou que a carne representa uma ameaça ambiental.
A afirmação transmite uma mensagem errônea de que o setor de proteína animal é o principal responsável pelas emissões de carbono e pelo aquecimento global.
Sem falar, nos benefícios causados pela proteína animal em atletas de alta performance.
Vale lembrar ainda que o principal responsável pelo aumento contínuo dos gases de efeito estufa são os combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, queimados para gerar eletricidade e energia para transporte, por exemplo, ou aquecimento.
Alegação
Segundo a organização, Paris-2024 compromete-se a reduzir pela metade as emissões da pegada de carbono dos Jogos, através da implementação de uma estratégia climática baseada na antecipação, na prevenção e na redução dos gases do efeito estufa.
A "Visão Alimentar" de Paris estima um quilo de CO² por refeição, ou seja, metade da pegada de carbono de dois quilos de gás carbônico emitido por cada refeição servida nas edições anteriores dos Jogos Olímpicos.
Com isso, decidiu adotar a redução de proteínas animais e apostar na oferta de mais frutas, vegetais e produtos vegetais e a utilização de produtos sazonais e locais para limitar as emissões no transporte de cargas, por exemplo.
Além disso, Paris-2024 afirma que pelo menos 60% das refeições colocadas à venda nos estabelecimentos serão vegetarianas.
"Em comparação com os seus [Jogos] antecessores, Paris-2024 aumenta as suas ambições ambientais e sociais com objetivos estruturados em torno de seis compromissos principais, subdivididos em 60 subcompromissos para cada tipo de produto ou serviço, incluindo: carne 100% francesa e sustentável, laticínios franceses, 100% dos produtos provenientes da pesca sustentável, 100% ovos de galinhas criadas ao ar livre na França", detalhou a organização.
Pisando na bola
Os organizadores pisaram na bola ou queimaram largada, para adotar outros jargões esportvos. Isto porque em mega evento como a Olimpíada, onde todos os olhos do mundo estarão voltados para a capital francesa, o evento já está sendo usado para reforçar preconceitos e propagar desinformação ao adotar essa agenda ambiental controversa e eleger a carne como vilão climático.
É uma abordagem desequilibrada sobre a questão ambiental, segundo a consultoria Athenagro. A tese de emissões de carbono dos organizadores ela é equivocada porque ela ignora o total que a pecuária remove de CO² do sistema.
Desinforma, porque joga ao lado técnicas e tecnologias adotadas pelo setor para aumento da sustentabilidade, como manejo, recuperação e pastagens, adubação, dietas adequadas, que mitigam a emissão de gases e já são usadas pela pecuária.
O Instituto de Promoção da Carne Argentina (Ipcva), por exemplo, criticou a medida ao Globo. O Ipcva destacou os atributos da carne como aliada estratégica do esporte, principalmente modalidades de alto rendimento, como fonte de proteína, ferro e de aminoácidos que promovem a manutenção e reparação de tecidos.
No modismo que agrada apenas a fundamentalistas e que está bem distante da realidade do planeta, os organizadores de Paris parecem já terem garantido a medalha de ouro.