Financiamento privado no agro consolida estoque de recurso trilionário

    Crescimento no volume total chegou a 26,26% em maio em relação há um ano

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    Financiamento privado no agro consolida estoque de recurso trilionário
    24deJunhode2024ás11:00

    O financiamento privado no agronegócio mantém ritmo de alta, apesar do “ciclo de quebra” na safra 2023/2024 em algumas das principais culturas do país.

    Pela primeira vez, o estoque de recursos privado para crédito ao agronegócio foi trilionário por três meses seguidos, entre março e maio deste ano.

    O estoque de recursos nas principais modalidades aumentou 26,16% na comparação entre maio de 2024 com o mesmo mês de 2023, saltando de R$ 807,4 bilhões para R$ 1,018 trilhão no período.

    Para se ter ideia, o Plano Safra, principal política pública de financiamento para o setor, deve chegar a cerca da metade neste ano.

    As informações constam do Boletim de Finanças Privadas do Agro, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, na última sexta-feira, a partir de dados entidades registradoras dos ativos financeiros, como a B3, Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central do Brasil.

    O desempenho destacou resultados de instrumentos como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), as Cédulas de Produto Rural (CPR) e o Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro).

    O estoque das LCA em maio teve um crescimento de 15% se comparado ao mesmo período do ano passado, saindo de R$ 409 bilhões para os atuais R$ 471 bilhões, apesar da queda de 1% nos estoques desse título no intervalo dos últimos cinco meses.

    No caso das CPR, o movimento ao longo dos últimos 12 meses confirma a tendência histórica de crescimento no volume e no valor de estoque destes títulos, desde o início da obrigatoriedade de registro de sua emissão, em 2020.

    Em maio, o estoque de CPR atingiu a marca de R$ 340 bilhões, valor 37% superior ao observado no mesmo período de 2023, quando estava em R$ 247,74 bilhões.

    Apesar de representar um volume menor no funding, os Fiagro continuam apresentando taxas de crescimento significativas entre os anos de 2023 e 2024.

    Em maio deste ano, o patrimônio líquido destes fundos cresceu 147% em relação ao mesmo período de 2023, passando de R$ 14,10 bilhões para R$ 34,77 bilhões em apenas 12 meses.

    Para a Secretaria de Política Agrícola (SPA/Mapa), embora o patrimônio líquido dos Fiagro tenha apresentado variação de -8% nos últimos cinco meses, a redução observada foi causada pela migração de um dos fundos, que deixou de ser categorizado como Fiagro.

    Dessa forma, a redução observada não se deveu à redução do patrimônio dos fundos existentes, mas sim pela mudança de categoria de um dos Fiagro.

    Os Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) continuam apresentando taxas de crescimento relevantes, com 31% de variação positiva ao longo dos últimos 12 meses, saindo de um estoque de R$ 106 bilhões em maio de 2023 para R$ R$ 140 bilhões em maio do presente ano.

    Já os Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) tem apresentado taxas de crescimento mais modestas, em torno de 11% em maio, se comparado a idêntico período de 2023, atingindo a marca de R$ 32 bilhões.

    Quem opera o financiamento privado no agro?

    Os títulos privados do agronegócio atraem uma variedade de investidores institucionais, financeiros, e de varejo, todos buscando diversificação, rentabilidade, e exposição ao setor agrícola.

    Entre eles estão fundos de pensão, seguradoras, e fundos de investimento, bancos comerciais, investidores de varejo, incluindo pessoas físicas e family offices, investidores estrangeiros, entre outros.

    A participação desses investidores é essencial para o financiamento e desenvolvimento contínuo do agronegócio brasileiro, um dos principais motores econômicos do país.

    Os recursos do financiamento privado são direcionados a cooperativas agrícolas, agroindústrias, produtores rurais de médio e grande porte, e empresas de trading de commodities.

    Essas entidades buscam recursos para a compra de insumos, expansão de atividades, modernização tecnológica, e construção de infraestrutura.

    As cooperativas desempenham um papel central, organizando a demanda de seus associados e obtendo financiamentos em larga escala.

    Além disso, as agroindústrias e traders frequentemente contratam financiamentos para assegurar a cadeia de suprimentos e a comercialização eficiente das safras.

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