Agroindústria recua 0,1% em 2025 após oscilações e pressão externa
Produção varia ao longo do ano, tenta reagir no fim, mas não recupera perdas acumuladas

A agroindústria brasileira recuou 0,1% em 2025 e encerrou o ano praticamente estável, “andando de lado”, segundo dados do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do FGVAgro.
O desempenho foi irregular ao longo do ano: crescimento de 2,3% no primeiro trimestre, seguido por queda de 2,4% no segundo. No segundo semestre, o setor tentou recompor as perdas, com recuo de 0,3% no terceiro trimestre e leve alta de 0,3% no quarto, na comparação com os mesmos períodos de 2024.
No último trimestre, especificamente, a produção avançou 0,3% frente ao mesmo período do ano anterior, indicando uma tentativa de recuperação, ainda insuficiente para reverter o saldo negativo do ano.
>> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
>> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET
Assim como na economia brasileira, a agroindústria operou sob pressões internas e externas. O ambiente de juros elevados e as turbulências no mercado internacional — com destaque para o tarifaço anunciado por Donald Trump e os impactos da gripe aviária — contrastaram com um mercado doméstico ainda aquecido, embora em desaceleração.
Alimentos sustentam resultado; bebidas e não alimentícios pressionam
Em 2025, o segmento de Produtos Alimentícios registrou crescimento de 1,5%, enquanto o de Bebidas acumulou queda de 2,6%. Já o setor de Produtos Não Alimentícios recuou 1,3%, influenciado principalmente pelos desempenhos negativos de biocombustíveis e produtos florestais.
No agregado, a produção de Alimentos e Bebidas avançou 0,8% no ano, resultado sustentado exclusivamente pelo desempenho positivo dos alimentos.
Dentro do segmento de bebidas, a retração de 2,6% foi puxada tanto pela queda nas bebidas não alcoólicas (–0,3%) quanto, principalmente, nas alcoólicas (–4,7%). O desempenho negativo se estendeu ao longo de todo o ano, tornando 2025 o pior resultado do setor desde 2016. No caso das bebidas alcoólicas, foi o pior desempenho desde 2003.
Origem animal avança; vegetal segue em queda
No detalhamento dos produtos alimentícios, o subsetor de origem animal fechou o ano com alta expressiva de 3,0%, após iniciar 2025 em desaceleração e ganhar força a partir de setembro. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento na produção de carnes bovina, suína e de aves. Em menor escala, também contribuíram positivamente os segmentos de laticínios e pescados.
Já os alimentos de origem vegetal encerraram o ano com queda de 0,9%. Apesar de uma recuperação ao longo do segundo semestre, o desempenho não foi suficiente para reverter as perdas do início do ano. A retração foi puxada pela menor produção de arroz, café e, principalmente, pelo refino de açúcar. O recuo não foi mais acentuado devido ao avanço na produção de conservas e sucos, óleos e gorduras e trigo.
Biocombustíveis despencam e puxam não alimentícios para baixo
O segmento de Produtos Não Alimentícios acumulou retração de 1,3% em 2025, com destaque negativo para os biocombustíveis, que registraram forte queda de 18,6%.
O resultado reflete a combinação de menor produtividade e qualidade da cana-de-açúcar, além da redução na moagem em relação ao ano anterior.
Já o setor de Produtos Florestais recuou 1,0%, impactado pela menor produção de madeira e papéis. O segmento iniciou o ano em desaceleração, que se intensificou no segundo semestre, levando o setor ao campo negativo.
Insumos, fumo e têxteis entre os destaques positivos
Entre os segmentos com desempenho positivo, os Insumos Agropecuários avançaram 8,5% em 2025. O setor chegou a registrar alta acumulada de 14,0% em 12 meses até setembro, antes de desacelerar, mas mantendo crescimento relevante no fechamento do ano. O resultado foi impulsionado pela maior produção de defensivos agrícolas, tratores, máquinas e intermediários para fertilizantes.
O setor de Fumo também se destacou, com alta de 8,6%, impulsionada por uma trajetória de recuperação, especialmente no segundo semestre, após os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
Já os Produtos Têxteis cresceram 1,2%, com avanço concentrado nos segmentos de tecelagem, vestuário e couro, apesar da desaceleração ao longo do ano.
2026 pode ser mais favorável, mas riscos persistem
Para 2026, a expectativa é de um cenário mais benigno, com possível início da redução da taxa Selic, manutenção do mercado interno aquecido — influenciado pelo ciclo eleitoral — e um mercado de trabalho ainda robusto.
Por outro lado, o ambiente externo e as incertezas associadas às eleições no Brasil permanecem como fatores de risco relevantes para o desempenho da agroindústria.
