Fazendeiro "contrata" 10 robôs para controle de pragas em lavoura de grãos

    Teste mostrou ganho de 10 sacas de soja por hectare por "conceito tecnológico matador"

    Fazendeiro "contrata" 10 robôs para controle de pragas em lavoura de grãos
    26deJulhode2024ás11:28

    A robótica agrícola está prestes a atingir um novo marco na cidade de Rio Verde, Goiás, Brasil. A partir desta temporada, a Fazendas Reunidas protegerá suas lavouras com dez robôs em 1.500 hectares de campos de soja e milho.

    O modelo escolhido é o Solix de terceira geração da Solinftec, que foi apresentado este ano na Agrishow, principal evento do Brasil para inovação tecnológica na agricultura.

    O Agrofy News Brasil entrevistou o CEO da Fazendas Reunidas, Alexandre Baumgart, em uma conversa reveladora sobre as razões e objetivos por trás do investimento em robótica agrícola em uma fase tão crucial como o controle de pragas.

    "Eu acredito no processo. O conceito tecnológico do Solix é matador, não tem como fugir. Eu gosto de tecnologia, mas sou apaixonado por resultados", afirmou Baumgart.

    O grupo abrange 25 mil hectares, entre lavouras, pecuária e áreas preservadas, e planeja aumentar o número de robôs a cada temporada.

    Baumgart, engenheiro mecânico de formação, atua na agricultura há mais de três décadas e também administra os negócios da família na indústria, comércio e hospitalidade. Assim, ele já vislumbrava o potencial dessa solução.

    A decisão foi baseada nos resultados promissores de um teste realizado no ano passado com um único robô, que aumentou quase 10 sacas por hectare na produção de soja.

    "O equipamento demonstrou precisão superior na aplicação de herbicidas para controle de plantas daninhas. Há também grande potencial para controle de insetos via digitalização de imagens, embora isso ainda esteja em desenvolvimento", analisou.

    A Fazendas Reunidas está na vanguarda dessa mudança, mostrando que a inovação tecnológica é fundamental para o futuro da agricultura. "Há uma revolução acontecendo na agricultura, algo estimulante e muito agradável de fazer parte", admitiu Baumgart.

    Leia a entrevista completa:

    "Agrofy News Brasil: Por que vocês decidiram comprar dez robôs para proteção de lavouras em larga escala?

    Alexandre Baumgart: Começamos o ano passado com o teste de um robô. Acredito no processo. O conceito tecnológico de detecção de ervas daninhas por meio da digitalização de fotos e imagens traz precisão na identificação de onde aplicar o herbicida.

    Embora a velocidade de processamento ainda seja um pouco lenta, a precisão é alta.


    O conceito tecnológico é matador, não há como escapar dele. Agora, os métodos para matar ervas daninhas e pulverizar variam um pouco. Por exemplo, o modelo elétrico é bem adequado para áreas menores, mas para áreas maiores, há mais dificuldade.

    AN: Como vocês planejam começar a usar essa alternativa tecnológica? Quais resultados vocês esperam?

    AB: A razão pela qual escolhemos testar essa tecnologia é que ela está se ajustando. O primeiro resultado foi fantástico, rendendo quase 10 sacas a mais por hectare. Isso mostrou que a soja, apesar de transgênica e resistente a certos herbicidas, ainda gasta energia e tempo processando o produto aplicado.

    O ingrediente ativo é processado pela planta, mas rouba energia e tempo que ela deveria usar para produzir mais. Quanto menos você aplicar algo que interfira no modo natural da planta, mais ela produz.

    AN: Então, os robôs elevaram o nível de "bem-estar da planta"?

    AB: Sim, foi muito eficaz. A planta produziu mais precisamente porque estava menos estressada. Você tem menos aplicação de herbicida, não precisa aplicar em toda a área, apenas onde é necessário, gerando economia.

    Fizemos um estudo e decidimos comprar mais dez robôs para ver como eles funcionam em uma escala maior. Planejamos operar 20 robôs, mas começaremos com dez nessa temporada.

    AN: Você usará o Solix para toda a proteção da cultura, ou apenas para ervas daninhas, ou será completo para insetos, fungos e outras pragas?

    AB: O ideal seria completo, mas devido à velocidade, às vezes será necessário usar um equipamento maior que não tenha detecção automática, devido ao volume.

    Atualmente, ele está sendo usado inicialmente para ervas daninhas e está gerando mais informações para determinar a pressão de pragas em certas áreas.

    A lâmpada infravermelha do robô ajuda a detectar borboletas e outras pragas, mas ainda está em desenvolvimento.

    AN: E em termos de resultados, o que você observou com o teste do primeiro robô Solix?

    AB: A produtividade aumentou em cerca de 18%. Eu separo grandes parcelas em duas partes com as mesmas condições para comparar. O aumento de 18% se deve à economia de força e energia da planta, não a estressando tanto com herbicidas.

    AN: E a economia com pesticidas?

    AB: Ainda estamos compilando esses números, mas é significativo. Aplicar apenas onde necessário, em vez de em todo o campo, gera uma economia considerável.

    AN: Esse modelo de produção se aproxima do conceito de "fazenda fantasma", onde as máquinas lidam com tudo sem intervenção humana?

    AB: Ainda haverá necessidade de supervisão humana devido a diversos fatores. Ainda precisarei de técnicos para montar os equipamentos e pessoas para preparar a mistura para fornecimento, mesmo que automatizado. A criatividade e a inventividade humanas são insubstituíveis.

    AN: E quantos hectares serão cobertos pelos robôs?

    AB: Agora são dez robôs para 1.500 hectares. Estamos começando com soja e milho, mas depois de uma certa fase, o robô não pode mais entrar no campo.

    AN: Qual é a área agrícola total das Fazendas Reunidas?

    AB: Temos 9.500 hectares de lavouras, localizadas em Rio Verde, Goiás.

    AN: Dependendo dos resultados, vocês planejam expandir para os outros hectares?

    AB: Provavelmente, dependendo da eficiência e do aprendizado com os equipamentos.

    Estamos no ramo há 40 anos e, embora eu não seja engenheiro agrônomo, sou engenheiro mecânico e estou no campo há muito tempo. Gosto de tecnologia, mas sou apaixonado por resultados.

    AN: Você imaginava, há dez anos, que os robôs praticamente fariam todo o controle e proteção das plantações?

    AB: Eu venho da indústria, fui diretor de fábrica e conheço bem a tecnologia usada em montadoras e siderúrgicas. A tecnologia que já existia na indústria está sendo aplicada na agricultura. Até certo ponto, isso já era esperado.

    AN: O que você acha do impacto no pessoal desse modelo de produção?

    AB: Haverá necessidade de novos conhecimentos e treinamentos. Mesmo com inteligência artificial, a criatividade humana ainda é insubstituível. Precisaremos de técnicos para montar equipamentos, preparar misturas e supervisionar operações.

    AN: E quando os robôs chegarão?

    AB: A previsão é que cheguem entre julho e setembro. Haverá um período de adaptação, treinamento e implementação. Precisamos de técnicos com mais conhecimento tecnológico, não mais apenas técnicos agrícolas. Uma revolução está acontecendo na agricultura, e é muito prazeroso fazer parte dela."

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