Em eleição suspeita, Maduro vence eleição com 51,2% dos votos na Venezuela
Lula ainda não se manifestou sobre o resultado das eleições venezuelanas
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Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE), com 80% dos votos apurados, Nicolás Maduro foi o vencedor das eleições presidenciais realizadas no domingo (dia 28). O CNE é controlado pelo governo venezuelano.
Assim que o resultado foi comunicado, ele foi contestado internacionalmente, além de ter derrubado as esperanças da oposição de colocar fim a 25 anos de regime socialista.
A oposição afirma que venceu as eleições e contestou resultado do órgão eleitoral: "Nossa luta continua, e não descansaremos até que a vontade popular seja respeitada", disse o candidato Edmundo González em um breve discurso.
Se, por um lado, várias nações questionam a legitimidade da vitória, por outro os apoiadores do presidente reeleito falam num momento histórico.
"Eu sou Nicolás Maduro Moros, o presidente reeleito da República Bolivariana da Venezuela. Irei defender a nossa democracia, a nossa lei e o nosso povo", proclamou Maduro no domingo.
Maduro dedicou a vitória ao seu antecessor Hugo Chávez, falecido em 2013 e também protagonista de um regime autoritário. "Viva Chávez. Chávez está vivo!" gritou o presidente reeleito.
Atraso
A divulgação do resultado teve atraso de seis horas, o que provocou uma onda de preocupação por parte dos governos sul-americanos.
No final, o conselho eleitoral nacional declarou que Maduro tinha vencido com 51,21 por cento dos votos, contra os 44,2 por cento do o antigo diplomata Edmundo González Urrutia.
De acordo com a autoridade eleitoral, com cerca de 80 por cento dos votos contados, Maduro tinha garantido mais de cinco milhões de votos, em comparação com os 4,4 milhões de González Urrutia.
Lula se cala
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não se manifestou sobrea o resultado da Venezuela. A ordem dentro do governo brasileiro era aguardar mais informações vindas da Venezuela para se posicionar sobre o resultado.
O governo avalia que antes é preciso que o Conselho Nacional Eleitoral divulgue todos os dados da eleição, como votos apurados, seções totalizadas e se houve impugnação de algumas votações.
Golpe na oposição
O resultado representou um duro golpe para a oposição venezuelana que tinha se unido em torno da candidatura de González, na esperança de ajudar a tirar o país de um dos piores colapsos económicos da história moderna.
"Ganhámos em todos os Estados e toda a gente sabe isso", assegurou a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que tinha apoiado a campanha de González depois de ter sido proibida de concorrer.
"Não os derrotámos apenas política e moralmente, derrotámo-los com votos", disse Machado aos jornalistas, afirmando que González venceu com 70 por cento dos votos e devia ser considerado o presidente eleito do país.
Resultados “difíceis de acreditar”
O resultado eleitoral foi prontamente celebrado pelos aliados de Nicolás Maduro, incluindo o líder cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez, que saudou uma "vitória histórica" e um triunfo da "dignidade e coragem do povo venezuelano".
O líder da esquerda boliviana, Luís Arce, também comemorou o resultado das eleições realizadas naquele que seria o 70.º aniversário de Chávez. "Que ótima maneira de lembrar o Comandante Hugo Chávez", escreveu na rede social X.
Pequim parabenizou a Venezuela "pelo sucesso das suas eleições presidenciais" e felicitou o presidente Maduro. "A China está disposta a enriquecer a parceria estratégica e a fazer com que os povos dos dois países beneficiem desta", declarou o porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian.
Reações negativas
Várias nações consideraram que as eleições foram fraudulentas.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou que o Governo dos Estados Unidos tem "sérias preocupações de que o resultado anunciado não reflita a vontade ou os votos do povo venezuelano".
"É fundamental que todos os votos sejam contados de forma justa e transparente, que os funcionários eleitorais partilhem imediatamente a informação com a oposição e os observadores independentes e que as autoridades eleitorais publiquem o apuramento detalhado dos votos. A comunidade internacional está a acompanhar de perto esta situação e responderá em conformidade", acrescentou.
O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, apelou à "total transparência do processo eleitoral" na Venezuela.
"Os venezuelanos votaram sobre o futuro do país de forma pacífica e em grande número. A vontade deve ser respeitada. É essencial garantir a total transparência do processo eleitoral, incluindo a contagem pormenorizada dos votos e o acesso [aos documentos] das assembleias de voto", afirmou Borrell numa mensagem publicada nas redes sociais.Leopoldo López, opositor venezuelano exilado em Espanha, declarou que se verificou "uma fraude insustentável" nas eleições presidenciais na Venezuela.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, rejeitou por sua vez fazer comentários sobre os resultados das presidenciais até que sejam publicados os apuramentos de todas as assembleias de voto.
"A chave é a publicação dos dados mesa por mesa, para que possam ser verificados", defendeu, acrescentando que Madrid não tem um candidato favorito e que "só quer o bem-estar e a democracia para o povo venezuelano triunfem".
Já o presidente do Chile, Gabriel Boric, avisou que "o regime de Maduro tem de compreender que os resultados que publicou são difíceis de acreditar” e que “o Chile não reconhecerá qualquer resultado que não seja verificado".
O Governo peruano também rejeitou o resultado. "O Peru não aceitará a violação da vontade popular do povo venezuelano", escreveu no X o ministro dos Negócios Estrangeiros desse país, Javier González-Olaechea.
Na Costa Rica, o Executivo disse rejeitar categoricamente o que considera um "resultado fraudulento", enquanto o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, disse que a contagem dos votos "claramente tem falhas".