Quase 60% dos produtores esperam resultado de outros antes de adotar inovações

    Análise de dados e bioinsumos estão entre as novas tecnologias mais adotadas

    Por |
    Quase 60% dos produtores esperam resultado de outros antes de adotar inovações
    06deSetembrode2024ás11:54

    O Monitor de Tendências do Agronegócio Brasileiro, divulgado hoje (dia 6) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), revelou que 58% dos produtores rurais do Brasil preferem observar resultados de outros produtores antes de implementarem inovações em suas propriedades.

    A pesquisa indicou que apenas 20% dos entrevistados se consideram pioneiros (early adopters), aqueles que adotam novas tecnologias assim que disponíveis.

    Já outros 19% são classificados como adotantes tardios, que preferem esperar até que a tecnologia se torne comum, enquanto outros 3% são não adotantes. No total, o levantamento entrevistou 514 produtores de diversas culturas e atividades pecuárias em todas as regiões do país.

    Entre os desafios relatados para a adoção de novas tecnologias, o alto custo inicial foi mencionado por 56% dos produtores de soja e por 42% dos produtores de milho.

    A conectividade ruim ou inexistente também é uma barreira importante para 35% dos produtores de soja. Essas limitações são vistas como grandes obstáculos, especialmente para pequenos produtores que têm menor capacidade de investimento.

    A pesquisa também revelou que a soja e o algodão são as culturas com maior porcentagem de produtores considerados pioneiros, com 23% cada. Em contrapartida, o café apresentou maior resistência à adoção de tecnologias, com 74% dos produtores indicando que não utilizam monitoramento remoto, por exemplo.

    No setor pecuário, o cenário é semelhante, com a maioria dos produtores de corte e de leite adotando uma postura intermediária.

    No entanto, o estudo destacou que 29% dos produtores de leite são considerados pioneiros na adoção de tecnologias como ordenha mecânica e ração completa.

    Entre as tecnologias menos adotadas estão os drones para pulverização e a inteligência artificial. Por outro lado, bioinsumos e análise de dados estão entre as alternativas mais adotadas por eles.

    Cultura/Produção 1 - NADA (Tecnologia menos utilizada) 5 - MUITO (Tecnologia mais utilizada)
    Soja 41% - Drone para pulverização 10% - Bioinsumos e Análise de dados
    Milho 50% - Drone para pulverização 13% - Análise de dados
    Café 74% - Monitoramento remoto 10% - Análise de dados
    Algodão 55% - Drone para pulverização 15% - Análise de dados
    Cana-de-açúcar 53% - Drone para pulverização e Inteligência artificial 13% - Bioinsumos e Análise de dados
    Pecuária de Corte 59% - Drone para pulverização 33% - Pesagem
    Pecuária de Leite 69% - Sensores de dados 63% - Ordenha mecânica

    Tomada de decisão

    A pesquisa também apontou que a tomada de decisão quanto à compra de tecnologia é influenciada, em grande parte, por agrônomos e consultores, especialmente nas culturas de café, algodão e cana-de-açúcar.

    Produtores de soja, por outro lado, indicaram que a avaliação de sua própria equipe técnica tem um peso significativo na decisão de compra.

    Outro dado relevante do estudo foi que o acesso ao crédito continua sendo uma das principais barreiras para a adoção de novas tecnologias.

    Entre os produtores de pecuária de corte, 43% relataram que o custo do crédito é o maior desafio.  Já os produtores de soja apontaram que o elevado custo inicial para a implementação de inovações é o principal obstáculo.

    O Monitor de Tendências do Agronegócio Brasileiro também revelou que os investimentos em tecnologia devem seguir a tendência de estabilização para a próxima safra.

    A maioria dos produtores indicou que manterá o nível de investimento similar ao da safra anterior, com exceção dos produtores de algodão, que demonstraram maior disposição para investir em maquinário e implementos.

    Com esses resultados, o estudo da FIESP reforça a necessidade de políticas públicas e incentivos financeiros que possam facilitar o acesso a tecnologias inovadoras no campo. A democratização dessas inovações é essencial para aumentar a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

    Temas nesta notícia