Agrogalaxy abre dia com renúncia coletiva do board e fecha com pedido de Recuperação Judicial

    Estopim foi o não pagamento de CRAs no valor de R$ 70 milhões que venciam hoje

    Agrogalaxy abre dia com renúncia coletiva do board e fecha com pedido de Recuperação Judicial
    18deSetembrode2024ás17:48

    A AgroGalaxy entrou com um pedido de recuperação judicial (RJ) conforme fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há poucos minutos.

    O pedido de RJ, que corre em segredo de justiça, culmina um dia marcado pela renúncia coletiva de cinco de integrantes do board da empresa e o não pagamento de compromissos milionários que venciam hoje.

    Para se ter ideia, a Agrogalaxy é uma das maiores plataformas de distribuição de insumos e serviços agrícolas do Brasil.

    Segundo dados do site da companhia, ela tem mais de 30 mil clientes cadastrados, 169 lojas e pontos comerciais, 13 unidades sementeiras e 515 mil toneladas de capacidade estática.

    O documento menciona que os eventos climáticos adversos tiveram um impacto significativo nas operações da AgroGalaxy, contribuindo para o aumento das dificuldades financeiras.

    Esses eventos, especialmente os períodos de seca e excesso de chuvas, afetaram diretamente a produção agrícola e, consequentemente, a demanda por insumos, o que prejudicou o fluxo de caixa da empresa e agravou a situação financeira, levando ao pedido de recuperação judicial.

    Renúncia coletiva

    Horas antes da informação sobre a RJ, o até então diretor-presidente Axel Jorge Labourt apresentou sua renúncia, deixando, além da presidência, os cargos nos Comitês de Sustentabilidade, Financeiro e de Pessoas da companhia.

    Outros membros do Conselho de Administração também renunciaram, incluindo Benildo Carvalho Teles, Welles Clóvis Pascoal, Maurício Luis Luchetti, Eduardo de Almeida Salles Terra e Larissa Yastrebov Pomerantzeff.

    Conforme o documento público apresentado pela empresa, a decisão foi tomada diante de um cenário de dificuldades financeiras que ameaçavam a estabilidade de suas operações.

    Estopim

    O estopim da crise, que já era temida pelo mercado, ocorreu hoje. A companhia não pagou o montante de R$ 70 milhões que vencia hoje a credores como Vert Securitizadora, segundo informações do mercado.  

    Com isso, a securitizadora declarou o vencimento antecipado automático de todas as obrigações decorrentes da emissão.

    O valor seria a primeira amortização de um total de R$ 500 milhões em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) amitidos em 2022 com vencimento final em 2027.

    No fim do segundo trimestre, a dívida líquida do grupo já atingia R$ 1,5 bilhão.

    Proteção

    A companhia vem enfrentando desafios financeiros crescentes e optou por buscar proteção judicial para evitar execuções por ao menos 60 dias e obter tempo para renegociar suas dívidas.

    A medida visa, portanto, manter a integridade das operações da AgroGalaxy, que inclui um vasto portfólio de lojas e uma base ampla de clientes no setor agropecuário.

    De acordo com o documento da AgroGalaxy, as subsidiárias que terão proteção judicial no processo de recuperação incluem Agroferrari, Boa Vista, Agrocat, Grão de Ouro, Amazônia Insumos e Sementes Campeã.

    Essas empresas fazem parte do grupo AgroGalaxy e estão envolvidas na cadeia de distribuição de insumos agrícolas, com operações espalhadas por diversas regiões do Brasil, e serão incluídas no plano de reestruturação financeira da companhia.

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