Conflito entre indígenas e agricultores deixa mais feridos no Paraná
Pelo menos três pessoas ficaram feridas, aumentando a tensão na região
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Na manhã desta quinta-feira (dia 17), a cidade de Guaíra, localizada no oeste do Paraná, foi palco de mais um conflito entre indígenas e agricultores em uma disputa por terras.
O confronto resultou em ferimentos em dois indígenas e um agricultor.
A informação dos dois indígenas feridos foi dada pelo desembargador Fernando dos Prazeres, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que também faz parte da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do Conselho Nacional de Justiça.
O deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), confirmou o ferimento no agricultor Matheus Kihara.
O embate teria ocorrido quando tratores se aproximaram da área onde os indígenas estão residindo, mas os dois lados apresentaram versões diferentes.
A Polícia Federal (PF) está investigando o caso, mas ainda não divulgou detalhes.
A Força Nacional e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foram acionadas para apoiar a situação.
“Covardemente atacados”
O presidente da FPA publicou em suas redes sociais que os trabalhadores rurais foram "covardemente atacados" na região de Água do Bugre, em Guaíra, por um grupo que se autodenomina "descendentes de povos tradicionais".
Ele destacou que os agricultores estavam apenas tentando iniciar o plantio quando foram surpreendidos com ataques, incluindo pedras e garrafas. Um dos feridos, Matheus Kihara, sofreu uma fratura no osso ocular e aguarda cirurgia, segundo Lupion.
Lupion enfatizou a necessidade de as autoridades agirem para garantir a segurança dos agricultores na região.
Golpes e atropelamento
A Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) informou que a aldeia onde ocorreu o conflito está em processo de conciliação, com o fazendeiro disposto a avaliar a venda da propriedade para a regularização fundiária.
Segundo o G1, os dois indígenas feridos incluem um que foi golpeado com um objeto contundente por um fazendeiro, enquanto o outro foi atropelado por uma caminhonete. O último segue em atendimento hospitalar.
A CGY fez um apelo às autoridades para que cumpram sua responsabilidade de garantir a segurança e integridade física das comunidades, além de exigir que as agressões sejam investigadas e que os responsáveis sejam punidos.
Segundo a Comissão, nesta manhã, um caminhão e quatro tratores, acompanhados de funcionários e venenos, avançaram sobre a comunidade indígena em retomada, sob ordens do fazendeiro que deseja expulsar os indígenas da área.
No último domingo, 13 de outubro, a aldeia Y'hovy, também em Guaíra, foi alvo de disparos de arma de fogo provenientes de uma fazenda vizinha, enquanto a comunidade se divertia, revela ainda a CGY.
Demandas por medidas urgentes
Em meio ao aumento de conflitos agrários no Brasil, especialmente em Paraná e Mato Grosso do Sul, os partidos Progressista (PP), Liberal e Republicanos solicitaram em setembro ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma medida cautelar que autorize a atuação das polícias militar e civil estaduais nos conflitos agrários.
O pedido foi encaminhado ao ministro Gilmar Mendes, incluindo a remoção de invasores de propriedades privadas. Os partidos denunciam a “inação” dos órgãos de segurança pública federais, como a Força Nacional e a Polícia Federal, na região.
Em agosto, a Frente Parlamentar da Agropecuária convocou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, para esclarecer a situação em virtude do que classificaram como "explosões de conflitos" recentes no Brasil. Contudo, o encontro ainda não ocorreu.
A bancada também cobra o cumprimento da Lei do Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas, aprovada no Congresso Nacional.
O Sistema FAEP/SENAR-PR também solicitou uma audiência com Lewandowski para discutir medidas efetivas do governo federal na região Oeste do Paraná.
A audiência se justifica pelo confronto ocorrido em setembro, quando indígenas que invadiram uma propriedade rural em Terra Roxa entraram em conflito com a Força Nacional, resultando em um agente ferido após os invasores tomarem um fuzil.
Guaíra tem sido um foco frequente de conflitos agrários. Em julho, uma propriedade rural em Terra Roxa foi invadida por indígenas, intensificando a tensão na região.