Do boi ao café: Cepea aponta recordes e oscilações de preços de produtos agro em 2024

    Desempenho no ano mostrou os desafios da pecuária e da agricultura no Brasil

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    Do boi ao café: Cepea aponta recordes e oscilações de preços de produtos agro em 2024
    27deDezembrode2024ás10:43

    O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Esalq/USP, realizou uma análise dos principais produtos da pecuária e agricultura brasileira, destacando os desempenhos do ano de 2024. 

    O ano foi marcado por recordes históricos e significativas oscilações nos preços.

    A seguir, confira os principais destaques de cada setor.

    Boi

    A pecuária nacional viveu um 2024 de recordes, com aumento no abate, na produção e nas exportações, conforme apontado pelo Cepea. 

    No entanto, o ano também foi marcado por flutuações nos preços. No primeiro semestre, os valores do boi gordo apresentaram tendência de queda.

    Em junho, o Indicador CEPEA/B3 (São Paulo) alcançou a mínima do ano, R$ 215,30, refletindo as condições desfavoráveis das pastagens e a necessidade dos pecuaristas de reduzir custos, o que levou à venda de fêmeas e ao aumento do abate.

    pecuaria_boi 

    De acordo com o IBGE, o abate de bovinos no primeiro semestre de 2024 cresceu 21,2% em relação a 2023, enquanto as exportações mantiveram-se em torno de 250 mil toneladas por mês, beneficiando os frigoríficos.

    Contudo, a virada aconteceu em agosto, quando a demanda dos frigoríficos se intensificou e os preços da arroba dispararam. As exportações de carne bovina seguiram aquecidas até novembro, quando totalizaram 2,65 milhões de toneladas, um aumento de 28,7% sobre o mesmo período de 2023.

    No entanto, a última semana de novembro trouxe uma desaceleração das compras por parte dos frigoríficos, resultando em uma queda de 11% no preço do boi gordo em dezembro.

    Suínos

    Em 2024, o setor suinocultor brasileiro manteve-se forte, com as exportações de carne suína superando recordes históricos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, de janeiro a novembro, os embarques ultrapassaram 1,23 milhão de toneladas, marcando um aumento de 11,2% em relação ao ano anterior. 

    O crescimento da demanda interna e externa, aliado à oferta restrita de animais para abate e à competitividade da carne suína em relação à carne bovina, impulsionou os preços, que atingiram máximas históricas.

    suinos

    Com a queda nos preços dos principais insumos da suinocultura, como o milho e o farelo de soja, os suinocultores ampliaram suas margens, reforçando a rentabilidade do setor.

    Frango

    O setor de avicultura de corte enfrentou desafios em 2024, mas, no geral, obteve um desempenho positivo. A alta nos preços da carne e do animal vivo foi um fator importante, impulsionada pela oferta mais controlada e pela demanda aquecida, tanto interna quanto externa.

    Apesar de obstáculos, como surtos de Influenza Aviária em alguns países e os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul, o setor se recuperou ao longo do ano.

    avicultura_cepea

    Os dados do IBGE mostram que, de janeiro a setembro, a produção de carne de frango no Brasil foi de 10,2 milhões de toneladas, com um pequeno crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior.

    A demanda doméstica, que havia diminuído em 2023, se fortaleceu, especialmente na segunda metade de 2024, quando o frango recuperou competitividade frente à carne bovina.

    Leite

    O preço médio do leite pago ao produtor em 2024 deve ficar próximo de R$ 2,60/litro, um pequeno aumento em relação ao ano anterior. O ano foi marcado por uma valorização sustentada até o terceiro trimestre, impulsionada pela oferta limitada e pelo crescimento da demanda.

    A estabilidade nos custos de produção e o impacto negativo do clima extremo em algumas regiões também foram fatores relevantes, especialmente entre o segundo e o terceiro trimestres.

    O consumo se manteve firme, e a redução dos estoques de lácteos no final da entressafra ajudou a manter a tendência de alta. A produção começou a aumentar a partir de outubro, com as chuvas de primavera favorecendo as pastagens.

    Café

    O ano de 2024 foi excepcional para o café, com recordes nos preços das variedades robusta e arábica. A seca e o calor que afetaram as lavouras brasileiras, junto com a menor produção no Vietnã, encurtaram os estoques e impulsionaram os preços.

    cafe

    O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta, por exemplo, superou os R$ 1.800/saca de 60 kg em dezembro, mais do que o dobro do valor registrado em dezembro de 2023.

    A demanda externa também foi um fator chave para a alta, especialmente com a escassez de café do Vietnã no mercado europeu, que impulsionou as vendas brasileiras.

    No Brasil, as expectativas para a safra 2024/25 eram boas no início do ano, mas a falta de chuvas após abril comprometeu o rendimento das lavouras, resultando em uma colheita abaixo do esperado em várias regiões.

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