Chacina de Unaí: fazendeiro mandante do crime é preso no Rio Grande do Sul

    Homem foi condenado por matar três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho

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    Mânica foi condenado em 2023 a 64 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha

    Mânica foi condenado em 2023 a 64 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha

    16deJaneirode2025ás14:44

    Norberto Mânica, fazendeiro condenado pela morte de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho em 2004 na cidade de Unai (MG), foi preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

    A captura ocorreu em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. O  caso, conhecido como "Chacina de Unaí", chocou o país e marcou a história do combate ao trabalho escravo no Brasil.

    Mânica foi sentenciado em 2023 a 64 anos de prisão por homicídio qualificado e formação de quadrilha. Segundo as investigações, o crime foi motivado pela insatisfação dele e de seu irmão, Antério Mânica, com fiscalizações de trabalho análogo à escravidão em suas propriedades rurais.

    De acordo com a polícia, Norberto estava escondido em uma área rural de Nova Petrópolis, próximo à divisa com Gramado, e tentou se passar por outra pessoa, utilizando identidade falsa no momento da prisão. A sentença contra ele já transitou em julgado, ou seja, não há possibilidade de recurso.

     Em setembro de 2023, a Justiça de Minas Gerais determinou a prisão imediata de Norberto, Antério e outros envolvidos no caso. Antério Mânica, ex-prefeito de Unaí, já cumpre pena desde o ano passado.

    Ele foi inicialmente levado ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, mas transferido posteriormente para um presídio em Unaí. 

    Unai_chacina

    Outro condenado pela chacina, Hugo Pimenta, foi preso pela Polícia Federal em 2022, após passar cinco meses foragido. Ele havia sido sentenciado a 96 anos de prisão por participação no crime, mas teve a pena reduzida ao firmar um acordo de delação premiada.

    Durante o julgamento de 2015, Pimenta confessou seu envolvimento no planejamento da emboscada.

    Em janeiro de 2023, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, ordenou a prisão imediata de todos os mandantes e intermediários da chacina.

    Relembre o caso

    No dia 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva, além do motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram brutalmente assassinados a tiros em uma emboscada na zona rural de Unaí, no noroeste de Minas Gerais. Eles investigavam denúncias de trabalho análogo à escravidão em fazendas da região.

    As investigações identificaram os irmãos Antério e Norberto Mânica como mandantes do crime.

    Condenados a 100 anos de prisão, ambos recorreram em liberdade por anos devido à condição de réus primários. Outros dois envolvidos, José Alberto de Castro e Hugo Pimenta, foram responsabilizados por contratar os atiradores que executaram o crime. 

    Os três pistoleiros – Erinaldo Vasconcelos, Rogério Allan e William Miranda – foram os primeiros a serem condenados, em 2013, e já cumprem pena desde 2004. 

    A chacina, que completou 20 anos em janeiro de 2024, foi um marco histórico que resultou na criação do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, reforçando a luta por direitos trabalhistas e pela erradicação do trabalho escravo no Brasil. 

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