Chacina de Unaí: fazendeiro mandante do crime é preso no Rio Grande do Sul
Homem foi condenado por matar três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho
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Mânica foi condenado em 2023 a 64 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha
Norberto Mânica, fazendeiro condenado pela morte de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho em 2004 na cidade de Unai (MG), foi preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
A captura ocorreu em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. O caso, conhecido como "Chacina de Unaí", chocou o país e marcou a história do combate ao trabalho escravo no Brasil.
Mânica foi sentenciado em 2023 a 64 anos de prisão por homicídio qualificado e formação de quadrilha. Segundo as investigações, o crime foi motivado pela insatisfação dele e de seu irmão, Antério Mânica, com fiscalizações de trabalho análogo à escravidão em suas propriedades rurais.
De acordo com a polícia, Norberto estava escondido em uma área rural de Nova Petrópolis, próximo à divisa com Gramado, e tentou se passar por outra pessoa, utilizando identidade falsa no momento da prisão. A sentença contra ele já transitou em julgado, ou seja, não há possibilidade de recurso.
Em setembro de 2023, a Justiça de Minas Gerais determinou a prisão imediata de Norberto, Antério e outros envolvidos no caso. Antério Mânica, ex-prefeito de Unaí, já cumpre pena desde o ano passado.
Ele foi inicialmente levado ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, mas transferido posteriormente para um presídio em Unaí.

Outro condenado pela chacina, Hugo Pimenta, foi preso pela Polícia Federal em 2022, após passar cinco meses foragido. Ele havia sido sentenciado a 96 anos de prisão por participação no crime, mas teve a pena reduzida ao firmar um acordo de delação premiada.
Durante o julgamento de 2015, Pimenta confessou seu envolvimento no planejamento da emboscada.
Em janeiro de 2023, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, ordenou a prisão imediata de todos os mandantes e intermediários da chacina.
Relembre o caso
No dia 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva, além do motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram brutalmente assassinados a tiros em uma emboscada na zona rural de Unaí, no noroeste de Minas Gerais. Eles investigavam denúncias de trabalho análogo à escravidão em fazendas da região.
As investigações identificaram os irmãos Antério e Norberto Mânica como mandantes do crime.
Condenados a 100 anos de prisão, ambos recorreram em liberdade por anos devido à condição de réus primários. Outros dois envolvidos, José Alberto de Castro e Hugo Pimenta, foram responsabilizados por contratar os atiradores que executaram o crime.
Os três pistoleiros – Erinaldo Vasconcelos, Rogério Allan e William Miranda – foram os primeiros a serem condenados, em 2013, e já cumprem pena desde 2004.
A chacina, que completou 20 anos em janeiro de 2024, foi um marco histórico que resultou na criação do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, reforçando a luta por direitos trabalhistas e pela erradicação do trabalho escravo no Brasil.