Rio Verde perderá voos da Azul

    Decisão impacta mobilidade de um dos principais polos do agronegócio brasileiro; prefeitura busca reverter medida

    Atualmente, a Azul é a única companhia aérea que opera voos diários para Rio Verde

    Atualmente, a Azul é a única companhia aérea que opera voos diários para Rio Verde

    24deJaneirode2025ás16:18

    A Azul Linhas Aéreas anunciou que suspenderá suas operações em 12 cidades brasileiras a partir de 10 de março, incluindo Rio Verde, em Goiás.

    A cidade, reconhecida como o quinto município mais rico do agronegócio nacional, ficará sem voos comerciais regulares, dificultando o transporte para moradores e turistas.

    A medida impacta mobilidade de um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

    Atualmente, a Azul é a única companhia aérea que opera voos diários para Rio Verde, após a VoePass interromper suas atividades no local em agosto do ano passado.

    A decisão, segundo a companhia, faz parte de uma estratégia de ajuste de capacidade à demanda.

    Esforços para manter os voos

    A Prefeitura de Rio Verde manifestou-se sobre o encerramento das operações da Azul, afirmando estar em tratativas com a empresa para reverter a decisão.

    aeroporto

    Em nota, a administração municipal destacou a importância estratégica da conexão aérea para o município e informou que o aeroporto local cumpre todas as exigências legais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    “Além das tratativas com a companhia Azul, a Prefeitura também tem mantido contato com outras empresas aéreas, para ampliar a oferta de voos no Aeroporto de Rio Verde”, diz a nota.

    Com a suspensão, os moradores precisarão recorrer a cidades vizinhas com aeroportos em funcionamento, aumentando o tempo e custo de deslocamento.

    Até setembro do ano passado, Rio Verde contava com mais de 14 operações aéreas semanais. Desde a saída da VoePass, o número caiu para 7 pousos e 7 decolagens semanais, operados exclusivamente pela Azul.

    Apesar da suspensão em Rio Verde, a Azul continuará atendendo outros destinos em Goiás, como Goiânia e Caldas Novas.

    Outras cidades impactadas

    Além de Rio Verde, a suspensão da Azul afetará as seguintes localidades:

    • Barreirinhas (MA)

    • Cabo Frio (RJ)

    • Campos (RJ)

    • Correia Pinto (SC)

    • Cratéus (CE)

    • Iguatu (CE)

    • Mossoró (RN)

    • Parnaíba (PI)

    • São Benedito (CE)

    • São Raimundo Nonato (PI)

    • Sobral (CE)

    Em relação a outros ajustes, voos para Fernando de Noronha (PE) serão operados exclusivamente a partir de Recife, e operações em Juazeiro do Norte (CE) terão como destino o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

    A companhia justificou essas mudanças como parte de seu planejamento operacional, priorizando rotas com maior demanda.

    Impactos para Rio Verde e o agronegócio

    Rio Verde, localizada no sudoeste de Goiás, é um dos principais polos do agronegócio brasileiro. O município possui cerca de 238 mil habitantes e se destaca na produção nacional de milho, soja e proteína animal.

    Em 2023, a cidade gerou R$ 6,9 bilhões em valor de produção agrícola, posicionando-se como referência no setor.

    A localização estratégica de Rio Verde, com acesso à Ferrovia Norte-Sul e rotas rodoviárias importantes, facilita o escoamento da produção agrícola.

    Contudo, a suspensão dos voos pode afetar a logística e a competitividade do agronegócio local.

    Azul e a possível fusão com a Gol

    A decisão de suspender operações ocorre em meio às negociações para uma possível fusão entre Azul e Gol. No último dia 15, as duas empresas assinaram um memorando de entendimento para formalizar discussões sobre a união, que poderá concentrar 60% do mercado aéreo brasileiro.

    Segundo o memorando, a fusão depende do término da recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos, prevista para abril de 2025.

    Caso concretizada, a nova companhia seguirá o modelo de “corporation”, com as marcas Azul e Gol operando de forma independente, mas compartilhando aeronaves e otimizando rotas regionais.

    A fusão ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Anac, com previsão de conclusão até 2026.

     

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