Mapa minimiza impacto do embargo chinês a frigoríficos: “3 de 126"
Ainda assim, ministério trabalha para reverter a suspensão em 30 dias
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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) minimizou os impactos da recente suspensão temporária imposta pela China sobre três frigoríficos brasileiros.
A medida, anunciada na última segunda-feira (3/3), afeta unidades da JBS, Frisa e Bon-Mart, que tiveram suas exportações interrompidas por "não conformidades" detectadas nas plantas frigoríficas durante auditorias remotas conduzidas pelas autoridades chinesas.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificou o embargo como um procedimento de rotina e afirmou que a medida não compromete as exportações brasileiras de carne bovina para o mercado chinês.
Segundo ele, o Brasil conta com 126 plantas frigoríficas habilitadas para exportar ao país asiático, e a suspensão de apenas três não impacta a relação comercial entre os dois países.
“Hoje, o Brasil tem 126 plantas frigoríficas habilitadas. Quando nós assumimos, tínhamos 12 plantas suspensas. Nós retomamos essas 12 e abrimos mais 43, das 55 desse total de 126. Então, não é coerente que três plantas suspensas impactem a relação comercial”, explicou o ministro Carlos Fávaro.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) informou que segue em diálogo com o governo brasileiro e as autoridades chinesas para solucionar o impasse.
A entidade reafirmou a confiança na "robustez do controle sanitário nacional" e disse que trabalha "ativamente para solucionar os questionamentos apresentados com celeridade, garantindo a segurança e qualidade da carne bovina exportada".
Inconformidades
A Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) indicou que as suspensões estão relacionadas a questões como a troca de rótulos em contêineres de carne, a exposição inadequada de produtos no fluxo de processamento e a ausência de veterinário na linha de abate.
Além disso, uma das plantas embargadas teria exportado um lote com resíduos de carrapaticida acima do limite aceitável pelas normas chinesas.
Para o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o Brasil tem um bom desempenho na defesa agropecuária, o que colabora com a credibilidade e o reconhecimento desse trabalho no exterior.
“Seguiremos em diálogo com o setor privado exportador e com as autoridades chinesas para solucionar os questionamentos apontados e retomar as exportações dessas unidades”, disse o secretário Goulart.
As empresas envolvidas já foram notificadas e estão adotando medidas corretivas para atender às exigências da GACC.
A expectativa é que, após as devidas correções e a comunicação das mudanças às autoridades chinesas, os embarques possam ser retomados em até 30 dias. O governo brasileiro, no entanto, não estipulou um prazo oficial.
Protecionismo?
O embargo da China ocorre em um momento de maior rigor nas inspeções sanitárias e de uma investigação chinesa sobre salvaguardas contra importações de carne bovina de diversos países, incluindo o Brasil.
Apesar disso, Fávaro ressaltou que não há indícios de que a suspensão esteja relacionada à investigação e afastou qualquer interpretação de viés protecionista.
O ministro também desmentiu rumores sobre um possível acordo entre Brasil e China para reduzir as exportações de carne bovina.
Ele afirmou que o Brasil continua ampliando sua presença no mercado chinês, com 43 novas plantas habilitadas para exportação durante o atual governo.
Fávaro também destacou que a guerra comercial entre China e Estados Unidos pode beneficiar o Brasil, fortalecendo ainda mais a presença da carne bovina brasileira no mercado asiático.
Em paralelo, o setor agropecuário segue atento às exigências sanitárias e aos desdobramentos da política comercial chinesa.