Quem vai alimentar o berço da humanidade? Brasil e África do Sul lideram exportações agropecuárias ao continente

    Com US$ 100 bilhões em importações do agro, região seguirá com o maior ritmo de aumento populacional e de renda nas próximas décadas

    Quem vai alimentar o berço da humanidade? Brasil e África do Sul lideram exportações agropecuárias ao continente
    14deMarçode2025ás10:21

    A África é, ao mesmo tempo, o berço da humanidade e uma das regiões mais esquecidas do globo, apesar de sua crescente importância econômica, social e geopolítica.

    Na próxima semana, o Agrofy News Brasil vai investigar in loco uma das principais potências agropecuárias do continente - a África do Sul - para reportar a realidade da produção africana em uma série de conteúdos exclusivos.

    A expectativa é trazer informações e relatos relevantes, e por que não estratégicos, dado o enorme potencial da região a fim de responder: quem abastecerá a África?

    O segundo continente mais populoso do mundo já possui 1,5 bilhão de habitantes e experimentará um aumento de mais de 60%, o maior ritmo do planeta, para chegar a 2,5 bilhões em 2050.

    Um bilhão extra de pessoas em ceca de 25 anos sustentará o ainda mais impressionante aumento da demanda por alimentos, sejam os produzidos por lá, como também os importados, pela população africana. 

    As importações africanas de produtos agropecuários giram ao redor de US$ 100 bilhões anuais desde 2022, com crescimento de 85% em relação a 2010.

    E pasmem: o Brasil já é o principal exportador de alimentos ao conjunto de 54 países da região, superando até mesmo a África do Sul.

    africa do sul

    Em uma conta simples, se o percentual de crescimento por comida apenas repetir o aumento populacional previsto, se trataria de um mercado de US$ 166 bilhões em 2050.

    Esse número deve ser ainda maior porque o poder de compra per capita deverá aumentar, a exemplo do que já passou com a Ásia e está ocorrendo no subcontinente indiano.

    Quem abastecerá a África?

    Atualmente, Brasil e África do Sul são os principais fornecedores. 

    Com extensão territorial duas vezes maior que a França, a África do Sul tem no agronegócio um dos pilares de sua economia.

    Em 2023, as exportações do agro sul-africano atingiram um recorde de US$ 21,5 bilhões, com aumento de 4% em relação ao ano anterior.

    O continente africano foi o principal destino, respondendo por 38% do total, ou cerca de US$ 8,17 bilhões.

    O país é um dos principais fornecedores de milho dentro do continente, exportando tanto milho branco quanto amarelo, frutas, açúcar e carnes (bovina e frango, principalmente).

    Em 2022, os principais destinos africanos dos produtos alimentícios da África do Sul foram Namíbia, Botsuana, a lusófona Moçambique e Zimbábue.

    Embora a África do Sul mantenha uma forte presença nos mercados agrícolas africanos, desafios como restrições logísticas e surtos de doenças animais impactaram as exportações.

    agricultora africa do sul

    O Brasil, por sua vez, exportou cerca de US$ 12 bilhões em produtos agropecuários para o continente africano em 2024 e havia exportado cerca de US$ 10 bilhões no ano anterior.

    Deste total, o agro brasileiro contou 29% para açucares e melaços, 16% para milho, 9,3% para carnes de aves, 6,3% para carne bovina, 2,6% para soja, 2,4% para animais vivos, além de café, algodão e diversos outros itens.

    Relação Brasil e África do Sul

    A relação comercial entre o Brasil e a África do Sul é bastante significativa.

    As exportações totalizaram US$ 1,379.4 bilhões, representando uma queda de 16% em relação a 2023.

    Já as importações brasileiras da África do Sul somaram US$ 657,4 milhões, uma redução de 13,9% em comparação ao ano anterior.

    A corrente de comércio (soma de exportações e importações) atingiu US$ 2,036.8 bilhões, registrando uma queda de 8,2%. O Brasil manteve um superávit comercial de US$ 722 milhões no período.

    No ranking global de exportações do Brasil, a África do Sul ocupa a 42ª posição, com uma participação de 0,4% no total exportado. Em importações, o país está na 55ª posição, representando 0,2% das compras externas brasileiras em 2024.

    O comércio entre os dois países no setor do agronegócio tem se mostrado significativa nos últimos anos, refletindo a importância de ambos os países no cenário econômico do hemisfério sul.

    O Brasil tem se destacado como um dos principais fornecedores de carnes para a África do Sul, especialmente carne bovina e de frango. Esses produtos representam uma parcela significativa das exportações brasileiras para o mercado sul-africano.

    O açúcar brasileiro é outro produto de destaque nas exportações para a África do Sul, atendendo à demanda do mercado local e das indústrias alimentícias.

    Produtos como farelo de soja também são exportados para o mercado sul-africano, utilizados principalmente na alimentação animal e na produção de óleo.

    Já a Africa do Sul exporta ao Brasil frutas cítricas, como laranjas e limões, vinhos e produtos Processados.

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