Reis do picles: conheça o ciclo completo desde o pepino até o hambúrguer
Família Pieterse domina mais da metade do mercado sul-africano do embutido

Imagine morder aquele hambúrguer suculento e sentir o toque ácido-crocante do picles.
Por trás desse sabor inconfundível, ao menos na África do Sul, existe uma cadeia produtiva que começa em uma fazenda na Província de Limpopo, passa por famílias dedicadas e termina em pratos e bocas ao redor do globo.
Essa jornada, muitas vezes desconhecida, é a alma da Miami Canners e da família Pieterse.

A história do clã remonta a 1984, quando o falecido Young Weltagan – pai da esposa de John Pieterse – fundou a Miami Canners.
Inicialmente, a pequena empresa era especializada em geleias e aproveitava a fartura de frutas e hortaliças da região para agregar valor aos produtos in natura. Com o tempo, os negócios cresceram e se diversificaram.
Hoje, a Miami Canners é um verdadeiro conglomerado do agronegócio sul-africano, abrangendo produção, processamento e exportação de diversos itens.
A linha de produtos vai de tomates enlatados a conservas de manga (o famoso atchar), passando por pimentas tipo cereja e, claro, picles de pepino, carro-chefe da família Pieterse.
Reis dos embutidos
As instalações empregam mais de mil colaboradores em época de pico e produzem cerca de 2 mil toneladas de pepinos por ano, o que equivale a 8 milhões de frascos.
A origem do nome “Miami” está ligada ao lugar onde tudo começou: uma fazenda que homenageia imigrantes norte-americanos. Na mesma região, existem fazendas chamadas “Califórnia” e outros nomes igualmente curiosos, formando uma espécie de “Estados Unidos rural” em pleno solo africano.
A família Pieterse, contudo, transformou Miami não apenas em uma marca reconhecida, mas em um polo de desenvolvimento local.

"Muito desse sucesso vem do trabalho manual e da proximidade com a comunidade. Embora houvesse possibilidade de mecanizar diversas etapas, mantivemos grande parte do processo manual”, diz John.
Assim, sustentam famílias que moram nas vilas próximas, incentivam a economia local e formam verdadeiras equipes de campo, como a que colhe pepinos das 7h às 17h e segue para novos turnos quando necessário.
O ciclo do picles
O passo a passo do pepino até se tornar picles começa no plantio das sementes em solo irrigado por gotejamento, graças a poços artesianos que fornecem a água necessária. Em cerca de seis semanas, surgem os primeiros pepinos prontos para a colheita.
Assim que retirados do campo, eles são imediatamente enviados para a unidade de processamento.
No processamento, a equipe lava e seleciona os pepinos, separando os que serão destinados a diferentes tipos de conserva.

Depois disso, os vegetais são imersos em soluções especiais à base de salmoura e vinagre, que garantem aquela acidez e crocância inconfundíveis do picles. "Cada etapa é feita com o máximo cuidado para manter a qualidade e a segurança alimentar”, garante John.
Uma vez lacrados em frascos devidamente esterilizados, os pepinos já transformados em picles recebem o rótulo Miami e seguem para prateleiras de grandes redes varejistas, tanto na África do Sul quanto em mercados internacionais.
A empresa tem certificação FSSC 22000 (versão 6) e orgulha-se de seguir padrões internacionais de segurança de alimentos.
Além disso, a Miami participa de iniciativas éticas e de responsabilidade social, como a SEDEX, e é “custodian member” da SAAFoST, reforçando seu compromisso com a qualidade e o profissionalismo na produção.
Integração social
A expansão contínua dos negócios também se reflete na diversificação de culturas, como tomates e até repolhos, sempre plantados em etapas para evitar desperdícios.
Do cultivo no campo à mesa do consumidor, cada detalhe é pensado para manter a máxima frescura e eficiência, sem perder de vista o impacto social e a geração de empregos.
O segredo do sucesso, segundo a família, está justamente na junção entre tradição e inovação.

Se os picles da Miami Canners conquistaram espaço em hambúrgueres pelo mundo, foi graças ao comprometimento de cada pessoa envolvida, do pessoal de campo aos gestores de qualidade.
"A prova disso é o baixo índice de rotatividade de funcionários e o envolvimento constante em projetos comunitários, desde a doação de alimentos até o time de futebol “Miami Tigers””, conta.
