Meio amargo: mercado dos EUA pode sofrer com menor oferta de cacau e derivados
País pode reduzir sua capacidade de moagem, com reflexos na oferta doméstica de chocolate
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O mercado global de cacau vive um momento de instabilidade, marcado por forte volatilidade nos preços e por incertezas comerciais.
A recente sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas comerciais impactou diretamente a cadeia da commodity, provocando queda nas cotações e reações no setor.
Na última terça-feira (8), os contratos futuros de cacau com vencimento em maio de 2025 caíram 3,8% na Bolsa de Londres e 3,7% na de Nova York.
A queda ocorre após o mercado ter registrado a maior valorização em quatro semanas, influenciado por preocupações com a oferta em países produtores da África Ocidental.
Segundo a consultoria Hedgepoint, mesmo com a queda, os preços para a industria dos EUA podem reduzir a demanda.
Reconfiguração das rotas
Com a possibilidade de tarifas adicionais sobre produtos agrícolas, espera-se uma reconfiguração nas rotas de exportação e nos fluxos de processamento.
O cenário projeta mudanças nas estratégias de compra de amêndoas por parte dos Estados Unidos, que podem buscar origens alternativas com tarifas mais baixas e capacidade instalada para moagem, como Canadá, México, Brasil e Gana.

Caso essas mudanças se confirmem, o mercado norte-americano pode reduzir sua capacidade de moagem, com reflexos na oferta doméstica de derivados como manteiga, pó e licor de cacau.
Isso pode elevar os preços internos da commodity e impactar o setor de confeitaria e alimentos processados nos EUA.
Oferta e demanda
Os efeitos das tarifas somam-se às preocupações sobre a demanda global.
O risco de recessão e a desaceleração econômica nos países desenvolvidos têm pressionado o consumo de chocolate e derivados, o que contribui para a correção nos preços da amêndoa, que atingiram patamares historicamente elevados no início de 2024.
Do lado da oferta, a produção segue sob influência do clima.
Na África Ocidental, região responsável por mais de 60% do cacau mundial, as lavouras enfrentaram adversidades climáticas no fim de 2024.
Assim, foram registradas perdas na safra principal e projeções mais baixas para a safra intermediária da Costa do Marfim, prevista entre abril e setembro de 2025.
Em Gana, o segundo maior produtor mundial, também foram registradas revisões negativas para a safra atual, o que havia sustentado parte da valorização recente do grão.
No entanto, a melhora nas condições climáticas, com aumento do volume de chuvas nas últimas semanas, trouxe certo alívio ao mercado.