Estudo revela qual foi o maior vilão do bolso do consumidor no Brasil

    Produto ficou mais de 40% mais caro e liderou a alta dos alimentos, segundo a Neogrid

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    Estudo revela qual foi o maior vilão do bolso do consumidor no Brasil
    30deJaneirode2026ás16:28

    O café se tornou o principal vilão do bolso do consumidor brasileiro. Levantamento da Neogrid mostra que o produto ficou 40,7% mais caro na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, liderando a alta entre os alimentos e pressionando o orçamento das famílias.

    Segundo o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, o preço médio do café em pó e em grãos passou de R$ 53,58 para R$ 76,36 no período analisado, movimento que ocorreu mesmo em um cenário de produção elevada no país.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra brasileira de café foi estimada em 56,5 milhões de sacas, crescimento de 4,3% em relação a 2024.

    Ainda assim, a produção de café arábica, variedade mais consumida no mercado interno, teve queda de 9,7%, impactada por baixa produtividade e condições climáticas adversas.

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    A menor disponibilidade desse tipo de grão contribuiu para a elevação dos preços em todas as categorias do produto.

    Outros itens também pressionam o orçamento

    Além do café, outros produtos essenciais registraram altas expressivas ao longo de 2025.

    Os queijos ficaram 12,4% mais caros, seguidos por margarina (12,1%), creme dental (11,7%) e cerveja (6,2%), evidenciando um cenário de pressão contínua sobre o custo de vida.

    Apesar da escalada ao longo do ano, dezembro trouxe algum alívio pontual ao consumidor.

    No fechamento de 2025, itens básicos apresentaram queda nos preços médios, como leite UHT (-5,3%), ovos (-3,6%) e arroz (-2,2%), ajudando a conter a inflação de alimentos no curto prazo.

    No panorama macroeconômico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% em dezembro  de 2025 na comparação com novembro, sinalizando a manutenção de um ambiente inflacionário, ainda que com comportamento desigual entre as categorias de consumo.

    Altas mensais em dezembro

    Entre os itens monitorados, o sabão para roupa apresentou a maior alta mensal em dezembro, com variação de 2,4%, passando de R$ 14,58 para R$ 14,94. Na sequência, carne bovina (2,3%), carne suína (2,2%), creme dental (1,5%) e cerveja (1,3%) também ficaram mais caros no período.

    Para Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento dos preços ao longo de 2025 ajuda a explicar o cenário que se desenha para os próximos meses.

    “O ano foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como café e carnes, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor”.

    Segundo ela, a tendência para 2026 é de maior moderação, mas com pontos de atenção.

    “Para 2026, a expectativa é de uma oscilação mais moderada nos alimentos, com itens ainda sensíveis ao câmbio e à conjuntura global seguindo em alta, enquanto mercadorias básicas tendem a apresentar maior estabilidade, diminuindo o risco de uma inflação disseminada, embora fatores climáticos e macroeconômicos continuem exigindo atenção.”

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