Coamo obtém licença para usina de etanol de milho de R$ 1,7 bilhão
Unidade terá capacidade para processar 1,7 mil toneladas de milho por dia e produzir 765 mil litros de etanol a cada 24 horas
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A Coamo Agroindustrial Cooperativa deu mais um passo estratégico na ampliação de seu parque industrial com a obtenção da Licença de Instalação (LI) para a construção de sua primeira usina de etanol de milho.
A planta será erguida em Campo Mourão (PR), às margens da BR-487, com investimento previsto de R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 500 milhões provenientes de financiamento aprovado pelo BNDES via Fundo Clima.
A licença, concedida pelo Instituto Água e Terra (IAT), autoriza o início das obras da nova unidade, que terá capacidade para processar 1.700 toneladas de milho por dia, produzindo até 765 mil litros de etanol em 24 horas. A previsão é que as operações comecem no segundo semestre de 2026.
Com a nova usina, a cooperativa projeta utilizar entre 500 mil e 600 mil toneladas do total de 3 milhões de toneladas de milho que recebe anualmente para transformar o grão em biocombustível.
Além do etanol, a unidade vai produzir diariamente 510 toneladas de farelo de milho (DDGS), utilizado na nutrição animal, e 34 toneladas de óleo de milho, que pode ser destinado à produção de biodiesel.
Outro diferencial é a matriz energética da usina, baseada em eucalipto de reflorestamento próprio. Com 5 mil hectares de cultivo, a planta será capaz de gerar 30 megawatts de energia elétrica, tornando-se autossuficiente e capaz de abastecer todas as demais indústrias do complexo agroindustrial da cooperativa.
“A ideia é agregar valor à produção dos nossos cooperados. Não se trata mais apenas da venda de grãos, mas de um modelo industrial que transforma milho em energia, proteína e desenvolvimento regional”, afirmou o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari.
Durante a fase de construção, a usina deve gerar cerca de 2.200 empregos diretos. Quando estiver em operação, serão mais 250 postos permanentes de trabalho, reforçando o papel da Coamo como vetor de desenvolvimento local e regional.
A nova planta será integrada ao Parque Industrial da Coamo em Campo Mourão, que já abriga nove unidades industriais voltadas à produção de alimentos e insumos, como moinho de trigo, fiação de algodão e fábricas de margarinas e gorduras vegetais.
Energia
A nova usina da Coamo também foi destacada por autoridades durante a entrega da licença. Para o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, o projeto reforça a vocação do estado para o desenvolvimento sustentável e a liderança na produção de energia limpa.
“É uma alegria participar desse momento histórico. Trata-se da primeira grande indústria de etanol de milho do Paraná, uma planta bilionária da Coamo que já nasce ultramoderna”, afirmou. “Além de produzir etanol, ela será autossuficiente em energia e abastecerá todo o parque industrial. É geração de emprego na veia, desenvolvimento com sustentabilidade e tecnologia.”
Segundo ele, a indústria representa um modelo moderno de produção, alinhado às demandas ambientais e econômicas.
“Com o DDGS e o óleo de milho, a Coamo também transforma resíduos em produtos de alto valor agregado. Estamos falando de proteína, biocombustível e energia limpa. Isso é o que o mundo procura — e o Paraná está entregando.”
Crescimento sustentado e industrialização
Com 54 anos de história, a Coamo é a maior cooperativa agroindustrial do Paraná e figura entre as 50 maiores empresas do Brasil, ocupando a 44ª posição no ranking Época Negócios 360º de 2024.
Em 2023, a cooperativa registrou receita global de R$ 28,82 bilhões e distribuiu R$ 694 milhões entre mais de 32 mil cooperados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Mesmo diante de desafios climáticos, a Coamo recebeu 8,02 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2024 — o equivalente a 2,7% da produção nacional de grãos e fibras. No mercado externo, exportou 4,34 milhões de toneladas de commodities e alimentos, movimentando US$ 1,88 bilhão.
A industrialização é um dos pilares estratégicos da cooperativa. A nova usina de etanol se soma a outras unidades de processamento de soja, café, margarina e gordura vegetal, localizadas em Campo Mourão, Paranaguá (PR) e Dourados (MS). Em 2024, a Coamo também inaugurou uma fábrica de rações com investimento de R$ 178 milhões, ampliando sua atuação no segmento de nutrição animal.