"Somos mais otimistas que o mercado”, diz Wesley Batista

    Empresário, acionista da J&F, projeta valorização de até 300% nas ações da JBS com a dupla listagem

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    "Somos mais otimistas que o mercado”, diz Wesley Batista
    29deMaiode2025ás10:16

    Wesley Batista, sócio da holding J&F, aposta em uma valorização de até 300% da JBS com início das negociações das ações da companhia nos Estados Unidos após a dupla listagem aprovada recentemente.

    Em entrevista à CNN Money, o empresário também comentou sobre outros movimentos do conglomerado empresarial, já apontado como o maior do Brasil, que controla ativos avaliados em R$ 340 bilhões e empresas com faturamento anual de R$ 434 bilhões.

    A provada em Assembleia Extraordinária no último dia 23, a dupla listagem permitirá à maior processadora de carnes do mundo negociar suas ações tanto na Bolsa de Valores de São Paulo quanto no mercado americano via BDRs.

    Para Wesley, essa operação não é apenas simbólica, mas “transformacional”. “Ser a primeira empresa brasileira no S&P 500 é um marco, e vamos perseguir isso com tudo”, afirmou ao CNN Money.

    Ele aposta em uma valorização entre 150% e 300% das ações após o início das negociações nos EUA, que deve ter início em junho. A tese é sustentada por projeções internas e pela expectativa de maior liquidez global.

    Enquanto ajusta sua governança para atender às exigências regulatórias internacionais, a JBS segue investindo em eficiência operacional e inovação, pilares que, segundo Wesley, justificam o movimento.

    Muito além da carne

    Mas a J&F não para na carne: seu portfólio se estende a celulose (Eldorado), energia, cosméticos, limpeza, ecossistema financeiro e comunicação — todos segmentos que o grupo vê como complementares e sem planos de descarte.

    “Não existe intenção de sair de nenhum desses negócios. Aqui, só em último caso voltaríamos ao interior de Goiás para abater 60 bois por dinheiro, mas ninguém quer isso hoje. Os negócios vão bem”, disse.

    O executivo lembrou ainda o recente desfecho da disputa judicial com a Paper Excellence pela Eldorado Celulose Brasil, encerrada em 15 de maio com a compra dos 49% remanescentes por cerca de R$ 15 bilhões.

    “Foi um processo longo, mas saímos fortalecidos e sem mágoas — porque preferimos trabalhar a brigar”, resumiu ele, destacando o ganho de autonomia do braço de celulose.

    Momento econômico

    No campo macroeconômico, Wesley sustenta que o Brasil vive momento de retomada: o PIB cresceu 3,4% em 2024 — “é dado, não achismo” — e o superávit comercial alcançou US$ 74,5 bilhões, o segundo melhor resultado da história.

    Ele elogiou a aprovação da reforma tributária no fim de 2024, que considerou “um passo relevantíssimo” para destravar investimentos, mas admitiu que desafios como a inflação e os juros altos (14,75% ao ano) ainda pesam no orçamento das empresas.

    “Precisamos de medidas que devolvam fôlego aos produtores e consumidores, permitindo que a taxa de juros caia sem sustos”, apontou.

    Para Wesley Batista, esses indicadores reforçam sua convicção de que o mercado subestima o potencial brasileiro: “Há muita coisa boa sendo feita — nós somos mais otimistas que o mercado.”

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