“É muito otimismo acreditar que teremos o Plano Safra necessário”, diz Lupion
FPA reafirmou demanda de R$ 25 bi para equalização de juros e R$ 3,5 bi para seguro rural durante o GAFFF

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, e a senadora Tereza Cristina voltaram a pressionar o governo federal por um Plano Safra robusto.
Eles defendem ao menos R$ 25 bilhões para equalização de juros e outros R$ 3,5 bilhões para garantir o funcionamento do seguro rural.
“É muito otimismo acreditar que teremos o Plano Safra necessário com o orçamento que está aí. Mas eu preciso ser otimista”, resumiu Lupion em entrevista ao Agrofy News durante o GAFFF (Global Agribusiness Festival), em São Paulo.
A preocupação central é com o custo do crédito. Com a taxa Selic ainda elevada, a equalização exigiria esforço orçamentário significativo.
“Com 15% de Selic, fica muito mais caro fazer essa equalização. O crédito precisa ser seguro, e isso depende de previsibilidade e de um seguro rural de qualidade”, afirmou Lupion.
Ele destacou que o novo marco legal do seguro e o início mais cedo da formulação do Plano Safra são passos importantes, mas insuficientes sem recursos à altura.

Por sua vez, a ex-ministra Tereza Cristina reforçou a crítica à limitação orçamentária, apesar de identificar “boa vontade” pelo lado do ministério da Agricultura e Pecuária..
“O Pedro fez uma reunião com o setor, os números foram entregues ao governo, e há boa vontade, mas o orçamento da União está estrangulado. Estão até inventando impostos para conseguir arrecadar. Essa é minha preocupação”, disse a senadora.
Para a ela, não se trata apenas do volume de recursos, mas da taxa de juros acessível aos produtores.
“Hoje, os bons produtores estão tomando crédito com 19% de juros. Isso é inviável. A proposta de R$ 25 bilhões em equalização e R$ 3,5 bilhões para seguro rural precisa ser encarada como um mínimo.”
Segundo Lupion, de 2015 a 2025, o orçamento acumulado para o seguro rural somou menos de R$ 7 bilhões.
“Isso dá menos de R$ 1 bilhão por ano. Precisamos de pelo menos R$ 3,5 bilhões para cobrir a safra. O governo fala em obrigar o produtor a ter seguro para acessar crédito, mas ao mesmo tempo corta o Proagro, que atende justamente o pequeno”, criticou Lupion.
Apesar do cenário fiscal limitado, Tereza Cristina ainda demonstra uma ponta de esperança.
“O Ministério da Agricultura está brigando dentro do governo por esses valores. Se serão R$ 14, 20 ou 25 bilhões, não dá pra dizer ainda. Mas uma coisa é certa: qualquer valor abaixo disso vai estrangular o campo.”
A expectativa é de que o anúncio do Plano Safra 2025/26 ocorra até o fim de junho. Até lá, o presidente da FPA promete manter a pressão. “Nós vamos atrás. Não é só otimismo, é necessidade.”
Defesa do Agro
Outro ponto levantado por Lupion foi a instabilidade no campo gerada por invasões de terra. Ele atacou a proximidade do governo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e criticou o que classificou como “valorização institucional de criminosos”.
“É um governo que se aliou fortemente a movimentos invasores. Quando tem feira do agro, vai um ministro. Quando tem feira do MST, vão 11. Esse é o time deles. Nós temos que trabalhar para defender a Constituição e garantir o direito de propriedade”, disse.
O parlamentar também ressaltou que, sem uma política clara de segurança jurídica, o campo seguirá vulnerável. “As forças de repressão do Estado não atuam contra as invasões. Ao contrário. O que está em jogo não é só produção, é o respeito à lei.”
Tereza Cristina, por sua vez, relatou sua participação em uma missão à França para protocolar uma ação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) contra quatro redes varejistas que atacaram a imagem da carne brasileira.

“Poucas vezes vi o setor tão unido, do produtor à indústria. O que essas redes fizeram foi jogar no lixo todas as regras sanitárias da União Europeia para difamar o Brasil”, afirmou.
Segundo a senadora, a ação foi protocolada com apoio de um escritório de advocacia renomado, e agora está sob análise da Comissão Europeia.
“Queremos, no mínimo, uma retratação pública. Não dá para aceitar que digam que a carne brasileira não cumpre regras sanitárias quando exportamos para a Europa há décadas”, criticou.
Ela também destacou que o Brasil tem um Código Florestal mais rigoroso que o de muitos países europeus.
“Precisamos nos impor. Temos qualidade, temos rastreabilidade e temos tecnologia tropical que ninguém mais tem. É hora de defender nossa imagem no mundo com dados, e não com vergonha.”
