Na Agrishow, FPA cobra R$ 599 bilhões para o Plano Safra e R$ 6 bilhões para Seguro Rural
Proposta defende incentivo à produção, estabilidade econômica e novas regras para financiamento agrícola
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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou nesta segunda-feira (28), na Agrishow 2025 em Ribeirão Preto (SP), suas principais propostas para o Plano Safra 2025/26.
A bancada reivindica R$ 599 bilhões em recursos para o financiamento da produção agropecuária e pleiteia a ampliação do Programa de Seguro Rural para R$ 6 bilhões.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa na Agrishow, marcando o início oficial das negociações com o governo. A proposta da FPA acompanha as diretrizes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Equalização de Juros e Seguro Rural
Do total solicitado, R$ 25 bilhões seriam destinados à equalização de juros, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito e reduzir os custos de produção.
O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da FPA, destacou a importância da previsibilidade para o setor.
“Essa equalização, que é o que de fato custa para os cofres públicos, teria necessidade de pelo menos R$ 25 bilhões”, afirmou. Ele reforçou que crédito mais barato tem impacto direto na produção agrícola e na inflação dos alimentos.

Lupion também defendeu que o seguro rural seja tratado como política de Estado. “Preço de alimentos se faz planejando a safra. Seguro rural deveria ser obrigação do governo federal”, declarou.
Proposta vai além dos recursos
O vice-presidente da FPA, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que o documento não se limita a números. “Aqui tem uma proposta para o setor, uma proposta de país. Não é só pleitear recursos, é apresentar uma alternativa de desenvolvimento para o Brasil”, pontuou.
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Entre as propostas está a criação de uma política agrícola de longo prazo, nos moldes da Farm Bill dos Estados Unidos, permitindo planejamento de cinco anos com previsibilidade orçamentária para o setor.
Atualmente, na safra 2024/25, o total de recursos mobilizados para o agronegócio, somando fontes públicas e privadas, chegou a R$ 1,2 trilhão.
Desse montante, R$ 476,5 bilhões vieram do Plano Safra. A expectativa é que os custos de produção para o próximo ciclo superem R$ 1,3 trilhão, o que reforça a urgência de mais recursos públicos e juros mais baixos.
Outras propostas de financiamento
A FPA também propõe:
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Aumento do direcionamento obrigatório da poupança rural de 65% para 70%;
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Elevação da exigibilidade dos depósitos à vista de 30% para 34%;
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Ampliação do uso das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) de 50% para 80%;
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Inclusão das cotas dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) para cumprimento parcial dessas exigibilidades.
O documento foi entregue oficialmente aos representantes do governo presentes na Agrishow.
Governo sinaliza interesse
Durante a abertura da feira, no domingo (27), o vice-presidente Geraldo Alckmin prometeu levar as demandas do agro para ampliar o Plano Safra.
“Vamos trabalhar para aumentar o valor do Plano Safra, e ele exigirá maior equalização em razão da alta da taxa Selic. Vou levar o pleito do agro, condizente com o tamanho recorde da safra agrícola deste ano”, afirmou.
Apoio do setor produtivo
O presidente do Instituto Pensar Agro (IPA), Isan Rezende, avaliou que as propostas da FPA são coerentes com as necessidades do campo.
“É uma proposta justa e estratégica. O produtor precisa de crédito acessível e previsível, principalmente diante dos altos custos de produção e dos riscos climáticos cada vez mais frequentes”, afirmou.
Rezende destacou ainda o papel do agronegócio na economia nacional.
“O agro é a base da nossa balança comercial e um dos poucos setores que continuam sustentando o crescimento do país, mesmo em meio às crises. Quando o governo aplica recursos no Plano Safra, não está apenas ajudando o produtor rural, está garantindo alimentos mais baratos, geração de empregos no interior e arrecadação para os cofres públicos”, completou.