Corteva projeta biológicos com até 1/4 de seu negócio global de proteção de cultivos

    Unidade de bioinsumos deve triplicar sua fatia na próxima década com investimentos bilionários em P&D

    Corteva projeta biológicos com até 1/4 de seu negócio global de proteção de cultivos
    06deJunhode2025ás11:36

    A Corteva Agriscience promove uma revolução profunda e silenciosa em seu portfólio de proteção de cultivos. 

    A área de produtos biológicos, hoje responsável por 7% a 8% da divisão global para controle de pragas e doenças, deve triplicar até atingir 24% do faturamento no prazo de dez anos.

    Trata-se de um indicador relevante para o mercado, já que a multinacional é uma das cinco maiores empresas do segmento no mundo.

    O avanço será sustentado por investimentos robustos em pesquisa e desenvolvimento, com aportes de US$ 4 milhões por dia — o equivalente a US$ 1,4 bilhão anuais.

    “O futuro da agricultura exige produtividade e sustentabilidade, e os biológicos têm um papel crucial nisso. Eles não vieram para substituir os químicos, mas para potencializá-los”, afirma Frédéric Beudot, vice-presidente global de biológicos da companhia.

    Ele falou à imprensa brasileira ontem (dia 5) durante o  GAFFF (Global Agribusiness Festival), em São Paulo.

    Segundo ele, os biológicos hoje se dividem em duas frentes principais dentro da Corteva, o controle de pragas e doenças, chamado de biocontrole, e o segmento de desempenho vegetal, focado em melhorar o metabolismo natural da planta e sua tolerância a estresses ambientais.

    “O grande desafio atual é que pragas e doenças desenvolvem resistência às moléculas químicas. Os biológicos nos ajudam a reduzir a pressão seletiva sobre os químicos, preservando sua eficácia por mais tempo”, explica Beudot. “É uma abordagem integrada, onde biologia e química trabalham juntas.”

    Desempenho vegetal

    No campo do desempenho vegetal, a Corteva vem ampliando o uso de tecnologias como o Utrisha N, um fixador biológico de nitrogênio atmosférico. O produto já é amplamente disponível no Brasil, com bons resultados mesmo em safras desafiadoras.

    “Essas soluções permitem que a planta aproveite melhor o que está disponível no solo. É uma resposta eficiente à crescente demanda por produtividade com menos insumos”, diz Beudot.

    O executivo também destaca o papel estratégico do Brasil nesse movimento. “O país é o único grande produtor agrícola do mundo que ainda consegue expandir área produtiva, mas isso não basta. É preciso produzir mais por hectare, e o Brasil está liderando a adoção de biológicos com taxas de crescimento acima da média global”, afirma.

    Enquanto o crescimento anual dos biológicos no mundo varia entre 9% e 15%, no Brasil o avanço fica entre 18% e 30%. “O produtor brasileiro é tecnificado, exigente e está sempre aberto a soluções que geram resultado. Isso faz do país uma das nossas prioridades em inovação”, complementa Beudot.

    Na prática

    O uso de biológicos já faz parte da rotina dos irmãos Mário e Ângelo Pignatari, produtores em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. Eles utilizam o Utrisha N em larga escala nas lavouras de milho desde 2024 e relatam ganhos consistentes mesmo em anos adversos.

    “A gente começou com o produto no ano passado, em 50% da área de milho. Foi o ano mais seco da história da safrinha e, mesmo assim, conseguimos um incremento de 10 a 15 sacas por hectare”, conta Mário. “A planta resistiu melhor ao estresse, desenvolveu raízes mais profundas e espigas mais padronizadas.”

    A experiência foi tão positiva que, neste ano, os irmãos aplicaram o Trichoderma em 100% da área. “Com o clima favorável, o potencial foi ainda maior. A gente percebeu plantas mais vigorosas, grãos bem desenvolvidos e uma expectativa de colher 130 sacas por hectare, a maior média da nossa história”, afirma Ângelo.

    Eles relatam que a aplicação dos biológicos se encaixou bem no manejo tradicional e ajudou a planta a explorar melhor os nutrientes do solo. “O produto não é só fixador de nitrogênio. Ele ajuda em todo o desenvolvimento, principalmente em anos difíceis”, reforça Mário.

    Outro ponto destacado pelos produtores é o custo-benefício. Segundo eles, o custo do biológico representa cerca de 10% do valor do ganho adicional obtido com o incremento de produtividade. “É um investimento que se paga fácil. E isso sem contar os benefícios indiretos no sistema produtivo”, diz Ângelo.

    Com uma abordagem prática e foco em resultados, os irmãos mantêm uma área experimental dentro da fazenda para testar novas tecnologias antes de aplicá-las em larga escala. “A gente só leva para a área comercial aquilo que passou pelo campo de testes. E os biológicos já provaram o seu valor”, conclui Mário.

    Tradição no pasto

    A Corteva também apresentou a nova molécula Aminociclopiracloro (ACP), que marca o início de uma nova geração de herbicidas voltados ao manejo de plantas daninhas em pastagens e chega ao mercado por meio de dois novos produtos.

    A tecnologia estará presente em dois produtos o Navius® e Juvix® que passaram a integrar a tradicional Linha Pastagem da companhia, que há 65 anos investe em tecnologias para a pecuária.

    “O pecuarista precisa de eficiência no controle, versatilidade no uso e retorno econômico. Esses novos herbicidas vêm para entregar exatamente isso”, afirma Rodrigo Takegawa, líder de Marketing & Comercial da Linha Pastagem da Corteva para Brasil e Paraguai.

    De acordo com o executivo, o ACP atua diretamente nas respostas hormonais das plantas invasoras de folhas largas, interferindo no desenvolvimento de seus ramos e raízes.

    Essa atuação sistêmica reduz a matocompetição — disputa por luz, água, nutrientes e espaço — e contribui para pastos mais produtivos, com reflexos diretos na produção de carne e leite, além de reduzir a pressão pela abertura de novas áreas.

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