Mapa confirma 245 mortes de cavalos por ração contaminada e vê “caso inédito”

    Ministério investiga origem da contaminação; total de óbitos pode ser muito maior

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    Mapa confirma 245 mortes de cavalos por ração contaminada e vê “caso inédito”
    14deJulhode2025ás10:07

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a morte de 245 cavalos associada ao consumo de rações contaminadas produzidas pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda.

    O número faz parte de uma nota oficial divulgada, neste domingo (13), pela pasta, que classificou o episódio como inédito.

    A crise começou em abril e segue mobilizando criadores, médicos veterinários e autoridades do setor agropecuário em várias regiões do país. Os óbitos foram registrados nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas.

    Segundo o Mapa, análises realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) identificaram a presença de alcaloides pirrolizidínicos, em especial a monocrotalina — substância tóxica incompatível com a alimentação animal.

    “Esse é um caso único. Nunca, em toda a história do Ministério, havíamos identificado a presença dessa substância em ração para equinos. É a primeira vez que isso acontece”, afirmou o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. 

    O secretário destacou ainda que a monocrotalina, mesmo em pequenas doses, pode causar lesões neurológicas e hepáticas graves.

    “A legislação é clara: ela não pode estar presente em nenhuma hipótese.”

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    Investigação aponta falha na matéria-prima

    De acordo com o Ministério, a contaminação teria ocorrido por falha no controle da matéria-prima, com presença de resíduos de plantas do gênero Crotalaria, conhecidas por conter monocrotalina. 

    Desde o recebimento da primeira denúncia oficial, em 26 de maio, a pasta instaurou um processo administrativo, lavrou auto de infração e determinou a suspensão cautelar da fabricação e comercialização de rações para equídeos — medida posteriormente estendida a produtos destinados a outras espécies. 

    Embora a interdição tenha sido mantida pelo Mapa, a Justiça autorizou parcialmente a retomada da produção para rações que não se destinam a cavalos. A decisão é contestada pelo Ministério, que apresentou novas evidências técnicas para reforçar o risco sanitário. 

    “Estamos acompanhando de perto. Precisamos garantir que todo o lote contaminado seja recolhido e que nenhum novo caso aconteça”, concluiu Goulart. 

    Novos casos sob investigação

    Em outra nota divulgada na sexta-feira (11), o Mapa informou que investiga novas suspeitas de mortes de equinos em outros estados. Os dados incluem:

    • 40 mortes no sudoeste da Bahia;

    • 70 em Goiânia (GO);

    • 34 em Jarinu (SP);

    • 10 em Santo Antônio do Pinhal (SP);

    • 18 em Uberlândia (MG);

    • 8 em Guaranésia (MG);

    • 8 em Jequeri (MG);

    • 7 em Mariana (MG).

    O órgão ressalta, no entanto, que muitas dessas ocorrências não foram registradas via Ouvidoria oficial, o que dificulta a apuração formal dos fatos.

    A fábrica da Nutratta havia sido inspecionada pela última vez em fevereiro de 2025, e anteriormente em junho de 2023. A empresa foi notificada a recolher os lotes contaminados, mas ainda não comprovou a conclusão do processo, o que mantém os alertas ativos para autoridades locais e consumidores. 

    Números extraoficiais indicam mais de 600 mortes

    Embora o Mapa tenha confirmado 245 mortes, o número real pode ser ainda maior. De acordo com o grupo “Vítimas da Nutratta”, entrevistado pela Agro Band na semana passada, mais de 657 cavalos teriam morrido por causa da ração contaminada. Além disso, há 367 animais em tratamento e 212 sob observação clínica.

    Já o portal Agro Estadão publicou um levantamento extraoficial, com base em relatos de criadores, que aponta um total de 1.400 animais intoxicados, sendo 729 cavalos mortos, 461 em tratamento e outros 225 sob observação clínica.

    Defesa da empresa

    Em nota divulgada na semana passada, a Nutratta afirma que não há nexo de causalidade comprovado entre seus produtos e os óbitos de animais. A empresa, no entanto, reconhece a presença de monocrotalina em testes laboratoriais preliminares e atribui a possível contaminação à presença de plantas usadas como adubo verde.

    A companhia diz colaborar com as investigações e afirma ter adotado medidas adicionais de autocontrole, como:

    • Reforço nas análises laboratoriais;

    • Revisão dos protocolos de qualificação de fornecedores;

    • Rastreamento das matérias-primas vegetais;

    • Reestruturação do layout fabril.

    “A Nutratta permanece à disposição das autoridades e da sociedade para prestar os esclarecimentos técnicos necessários, mantendo seu compromisso com a qualidade, a segurança alimentar e o bem-estar animal, valores que sempre nortearam sua atuação”, conclui a nota.

    Denúncias devem ser feitas pela Ouvidoria

    O Ministério da Agricultura reforça que todas as denúncias formais devem ser feitas por meio da Ouvidoria Oficial, canal que centraliza e valida os relatos para fins de investigação.

    As ações de fiscalização seguem intensificadas, com foco na proteção da saúde animal e na segurança da cadeia produtiva agropecuária nacional.

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