Como proteger hortaliças das geadas? Epagri orienta agricultores de SC para reduzir perdas
Baixas temperaturas exigem manejo específico para cada cultura
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O frio intenso e, especialmente, as geadas representam uma ameaça significativa para a produção de hortaliças em regiões de clima subtropical e temperado — como é o caso de grande parte de Santa Catarina.
Para auxiliar os agricultores familiares a reduzir perdas e proteger suas lavouras, técnicos da Epagri divulgaram orientações práticas voltadas aos diferentes grupos de hortaliças cultivadas no estado.
No caso das hortaliças folhosas, como alface, agrião, espinafre e rúcula, uma das principais recomendações é manter o sistema de irrigação por aspersão ligado durante a ocorrência de geadas — principalmente nas últimas horas da madrugada até o nascer do sol.
A Epagri explica que essa técnica funciona porque a água, ao mudar de fase e liberar calor latente, forma uma camada de vapor que ajuda a manter a temperatura dos tecidos vegetais acima do ponto de congelamento.
Outros cuidados envolvem evitar o excesso de adubação nitrogenada dias antes da chegada do frio, já que tecidos mais tenros são mais suscetíveis às geadas.
Aplicações de aminoácidos e produtos com sulfato também são indicadas, tanto para reduzir o ponto de congelamento da água nas plantas quanto para auxiliar na recuperação após o estresse térmico.
Em áreas pequenas, a simples cobertura dos canteiros com sombrite pode ser suficiente para evitar o congelamento leve dos tecidos.

Brássicas: proteção dos botões florais
Para culturas como couve, repolho, brócolis e couve-flor, os cuidados se concentram em proteger as inflorescências, especialmente em estágios mais avançados de desenvolvimento.
A orientação é amarrar as folhas superiores sobre os botões florais, criando uma barreira física contra a geada. A irrigação por aspersão também é válida, desde que seja iniciada antes do congelamento e mantida até após o nascer do sol.
Além disso, os extensionistas recomendam o uso de cultivares mais tolerantes ao frio em épocas de maior risco. Assim como nas folhosas, o uso de aminoácidos e sulfatos pode ser benéfico para minimizar os danos e favorecer a recuperação das plantas.

Hortaliças de raiz: evitar colheita logo após a geada
As hortaliças de raiz — como cenoura, batata, beterraba e rabanete — são, em geral, mais tolerantes a geadas leves. Mesmo assim, em dias de frio intenso, é indicado o uso de coberturas leves, como palhada, para proteção adicional.
Outro ponto importante é evitar a colheita imediatamente após uma geada. A recomendação é aguardar a elevação da temperatura para evitar rachaduras ou deterioração precoce dos produtos.
Hortaliças de fruto: sensibilidade e necessidade de cobertura
Culturas como tomate, pimentão, abobrinha e pepino são extremamente sensíveis ao frio.
Para elas, a Epagri recomenda o uso de mantas térmicas do tipo “TNT” ou túneis baixos com plástico como forma de proteção nos cultivos a campo.
A irrigação por aspersão também pode ser adotada, mas apenas se houver estrutura que permita o funcionamento contínuo durante toda a madrugada.
No caso de produções em estufa, a prioridade deve ser reforçar a vedação e o controle da ventilação, para evitar perdas de calor durante a noite. Outra recomendação é evitar plantios tardios em regiões de altitude nos meses de outono e inverno, período mais crítico para geadas.
Monitoramento e planejamento são essenciais
De forma geral, a Epagri reforça a importância de acompanhar previsões meteorológicas com frequência, por meio de aplicativos agrícolas ou boletins locais e regionais. Isso permite agir preventivamente, com tempo hábil para aplicar as técnicas adequadas.
Sempre que possível, também é recomendado optar por cultivares mais rústicos e adaptados ao frio, especialmente nas épocas críticas. Em caso de dúvidas, a orientação é buscar o extensionista da Epagri no município. Esses profissionais estão preparados para fornecer recomendações específicas para cada realidade produtiva.