Estados preparam-se para tarifaço à espera de novidades do governo federal
São Paulo e Goiás anunciaram pacotes emergenciais; Trump fecha acordos com Japão e Indonésia
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Com a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros prevista para 1º de agosto, governadores de estados exportadores se antecipam enquanto aguardam medidas e negociações do governo federal.
São Paulo e Goiás, que mantêm fortes laços comerciais com os Estados Unidos, já anunciaram pacotes emergenciais para apoiar o setor produtivo local.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou nesta terça-feira (22) a criação da Linha Giro Exportador, que vai disponibilizar R$ 200 milhões em crédito com juros subsidiados para empresas que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.
A medida busca mitigar os efeitos econômicos da nova tarifa anunciada pelo governo norte-americano e preservar a competitividade das empresas paulistas.
“Estamos disponibilizando ao empresariado paulista um conjunto de medidas para preservar a operação das empresas e os empregos gerados por elas. Uma delas é essa nova linha de crédito, que oferece condições facilitadas e taxas reduzidas para garantir fôlego financeiro às empresas que podem ser impactadas por uma possível nova tarifa”, afirmou o governador.
A Linha Giro Exportador é uma parceria entre a Desenvolve SP, agência de fomento do Estado, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Secretaria da Fazenda e Planejamento.
Condições da Linha Giro Exportador:
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Taxas a partir de 0,27% ao mês + IPCA
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Prazo de até 60 meses para pagamento
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Carência de até 12 meses (inclusa no prazo total)
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Limite de financiamento: até R$ 20 milhões por cliente
A medida integra um pacote mais amplo do governo paulista, que também prevê a liberação de créditos de ICMS acumulados para empresas exportadoras e a ampliação do Fundo Garantidor para facilitar o acesso ao crédito.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), São Paulo é o estado mais vulnerável às tarifas anunciadas por Donald Trump, já que foi responsável por 31,9% das exportações brasileiras aos EUA no primeiro semestre de 2025. O valor exportado chegou a US$ 6,4 bilhões, com destaque para aeronaves (Embraer), sucos de frutas e equipamentos florestais.
Goiás ativa fundos emergenciais e cria comitê com empresários
Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) também anunciou medidas para enfrentar os efeitos do tarifaço. Na terça-feira (22), Caiado reuniu-se com empresários de diversos setores para apresentar três frentes de apoio financeiro:
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Fundo Creditório: nova linha de crédito voltada aos 18 segmentos que mais exportam para os EUA. Estão previstos R$ 314 milhões em créditos de ICMS e outros R$ 314 milhões aportados por investidores do mercado financeiro. A taxa de juros será de 10% ao ano — cerca de três pontos abaixo de linhas federais como BNDES, Plano Safra e fundos constitucionais.
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Fundeq (Fundo de Equalização para o Empreendedor): criado em 2020 durante a pandemia, oferece recursos para subsidiar encargos financeiros em operações de crédito. Vinculado à Goiás Fomento.
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Fundo de Estabilização Econômica: reserva financeira usada para manter serviços essenciais e apoiar empresas em momentos de crise.

As empresas interessadas devem procurar a Secretaria-Geral do Governo e se comprometer a manter os empregos durante o período de acesso ao crédito.
Os recursos podem ser usados como capital de giro ou para novos investimentos e ampliação da produção. As atividades contempladas incluem mineração, agricultura (como café, soja e algodão), indústria de alimentos, criação de bovinos e pesquisa científica.
O governo goiano também instituiu um comitê para manter contato permanente com o setor produtivo. As primeiras reuniões com os setores de Fármacos e Saúde; Carne, derivados e pescados; Mineração; Sucroenergético; Soja e cítricos; e Curtume estão marcadas para esta quarta e quinta-feira (23 e 24), com o objetivo de mapear as demandas e articular respostas junto às secretarias estaduais.
De janeiro a junho, Goiás exportou US$ 337,4 milhões para os EUA, com destaque para carnes (61%) e produtos siderúrgicos (11%). No mesmo período, o estado importou US$ 289,6 milhões, principalmente máquinas e instrumentos mecânicos (38%) e itens farmacêuticos (29%).
EUA fecham acordos com Japão e Indonésia
Enquanto o Brasil ainda não iniciou negociações formais com Washington, o presidente Donald Trump anunciou dois acordos comerciais com impacto global — um com o Japão e outro com a Indonésia.
No acordo com o Japão, os EUA reduziram as tarifas sobre automóveis de 27,5% para 15% e evitaram novos impostos sobre outros produtos.
Em troca, o Japão se comprometeu com um pacote de US$ 550 bilhões em investimentos e empréstimos para os EUA. As tarifas que deveriam entrar em vigor sobre produtos japoneses em 1º de agosto também foram reduzidas, de 25% para 15%.
O anúncio impulsionou o índice Nikkei, que subiu quase 4%. A Toyota avançou mais de 14%, e a Honda, quase 11%.
“Acabei de assinar o maior acordo comercial da história com o Japão”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social. “Este é um momento muito empolgante para os Estados Unidos da América e, especialmente, pelo fato de que continuaremos a ter sempre um ótimo relacionamento com o Japão.”
Com a Indonésia, país membro do Brics, os EUA eliminaram 99% das tarifas para produtos americanos. Já os produtos indonésios continuarão pagando 19% ao entrar nos EUA. O acordo inclui fornecimento de minerais estratégicos e a assinatura de contratos bilionários para compra de aeronaves da Boeing, energia e produtos agrícolas dos EUA.
“Os Estados Unidos da América passarão a vender produtos fabricados em solo americano para a Indonésia com tarifa ZERO, enquanto a Indonésia pagará 19% de tarifa sobre todos os seus produtos que entrarem nos EUA — o melhor mercado do mundo!”, escreveu Trump na Truth Social.
Segundo ele, os acordos devem beneficiar fabricantes, trabalhadores, agricultores, pecuaristas e a indústria americana como um todo.