Dia da Cerveja tem brinde inusitado: alunos de SP criam receita com soro de leite, cacto e gengibre
Lúpulo de São Paulo é destaque na produção artesanal brasileira
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Professores e alunos do curso superior de Alimentos da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) de Piracicaba — Deputado Roque Trevisan — estão inovando o modo de fazer (e degustar) uma cerveja gelada.
Utilizando ingredientes pra lá de curiosos, como soro de leite, cactos, gengibre, maçã verde e ora-pro-nóbis, o grupo vem desenvolvendo receitas que aliam criatividade, sustentabilidade e conhecimento técnico.
A iniciativa ganha ainda mais atenção nesta sexta-feira (1º), Dia Internacional da Cerveja, especialmente em uma região com forte presença de cervejarias artesanais, eventos e empreendimentos voltados ao setor.
Tudo começou com a destinação sustentável ao soro de leite jogado fora por uma pequena indústria local de coalhada seca.
“Uma das propostas mais promissoras foi a produção da Vaka Loka, uma cerveja feita com soro. Ele auxilia no processo de fermentação por conter bactérias lácticas”, explica Ângela de Fátima Kanesaki Correia, coordenadora do curso, em entrevista à Agência SP.

Cerveja é coisa séria
A produção da bebida é tema de diversas disciplinas do curso, como tecnologia de bebidas, tecnologia de cervejas e bebidas alcoólicas, embalagem e rotulagem, desenvolvimento de produtos e análise sensorial.
A cada semestre, os alunos colocam a mão na massa — ou melhor, no malte — desenvolvendo entre cinco e seis projetos de novas cervejas.
Além da parte técnica, há também um incentivo à criatividade com foco no mercado.
Público aprova novidade
Outro ponto alto do curso são as oficinas de cerveja artesanal abertas ao público, que têm feito grande sucesso, somando mais de 70 inscritos no primeiro semestre. “Também levamos as oficinas para comunidades e bairros de Piracicaba, onde a aceitação tem sido muito positiva”, destaca Ângela.
Lúpulo de SP ganha espaço na produção artesanal
Ingrediente central para dar amargor, aroma e ajudar na conservação da cerveja, o lúpulo vem ganhando cada vez mais espaço no campo paulista — e no radar das cervejarias artesanais.
O que antes era quase totalmente importado começa, aos poucos, a ser produzido por aqui com mais força e qualidade.
A planta responsável por esse protagonismo é a Humulus lupulus. São suas flores femininas que conferem à bebida aquele sabor característico, além de ajudarem na formação da espuma e na durabilidade da cerveja.
O cultivo envolve uma série de etapas: plantio, crescimento, colheita e o processamento das flores, que são altamente valorizadas pelo mercado.
Em 2023, o Brasil produziu 88 toneladas de lúpulo — um salto de 203% em relação ao levantamento anterior. O avanço é resultado direto da expansão da área plantada e do aumento no número de produtores.
De olho na espuma
Em São Paulo, cerca de 30 produtores já estão apostando nesse cultivo, que cresce em ritmo acelerado. Cidades como Aguaí e Mococa têm se destacado no cenário nacional, não só pela qualidade do lúpulo cultivado, mas também por prêmios conquistados em diferentes eventos e concursos.
Um dos atrativos do lúpulo é a possibilidade de realizar mais de uma safra por ano — algo viável graças ao clima favorável e ao uso de tecnologias adaptadas. Isso torna o investimento ainda mais interessante.
E o retorno pode vir de diferentes formas. O lúpulo pode ser uma excelente alternativa para grandes propriedades, mas tem se mostrado especialmente promissor para a agricultura familiar.
Com apoio técnico e estrutura adequada, São Paulo tem potencial para se firmar como um polo produtor, abastecendo a demanda local, nacional e até internacional.