Lula convida papa Leão XIV para a COP30 em Belém e defende combate global à fome

    No Vaticano, presidente discutiu desigualdade, fé e sustentabilidade com o pontífice e reforçou apelo por políticas públicas contra a fome

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    Lula convida papa Leão XIV para a COP30 em Belém e defende combate global à fome
    13deOutubrode2025ás12:46

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira (13), no Vaticano, com o papa Leão XIV.

    Em publicação na rede social X, Lula relatou ter conversado com o pontífice sobre “religião, fé, o Brasil e os imensos desafios que temos que enfrentar no mundo”.

    “Parabenizei o santo padre pela Exortação Apostólica Dilexi Te e a sua mensagem de que não podemos separar a fé do amor pelos mais pobres. Disse a ele que precisamos criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade e considero o documento uma referência, que precisa ser lido e praticado por todos”, afirmou o presidente.

    Lula também mencionou sua “relação de extrema proximidade” com líderes religiosos brasileiros, como dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara, dom Luciano Mendes de Almeida, Pedro Casaldáliga e o atual presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler.

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    Convite à COP30 e visita futura ao Brasil

    O presidente relatou que conversou com o papa sobre sua participação no encontro da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), realizado em Roma, e destacou o feito de o Brasil ter “tirado, pela segunda vez, o país do Mapa da Fome”.

    “Agora, estamos levando este debate para o mundo por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, completou.

    Ainda na publicação, Lula afirmou ter convidado o pontífice para participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).

    Considerando a importância histórica de realizarmos uma Conferência do Clima pela primeira vez no coração da Amazônia”, escreveu.

    Segundo o presidente, o papa agradeceu o convite, mas explicou que não poderá comparecer por conta das celebrações do Jubileu. No entanto, garantiu que o Vaticano estará representado em Belém.

    Lula também revelou que o pontífice pretende visitar o Brasil em breve.

    “Ficamos muito felizes em saber que sua santidade pretende visitar o Brasil no momento oportuno. Será muito bem recebido, com o carinho, o acolhimento e a fé do povo brasileiro”, afirmou.

    O presidente ainda lembrou a fé demonstrada durante o Círio de Nazaré, em Belém, e nas celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

    Fome e desigualdade no centro do discurso

    Durante a abertura do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, Lula defendeu que os governos incluam os pobres em seus orçamentos.

    “Não se trata de assistencialismo. É preciso colocar os pobres no orçamento e transformar esse objetivo em política de Estado. Para evitar que avanços fiquem à mercê de crises ou marés políticas. Mesmo líderes de países com orçamentos pequenos podem e precisam fazer essa escolha”, afirmou.

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    O presidente destacou o anúncio da FAO de que o Brasil voltou a sair do mapa da fome.

    “Trinta milhões de pessoas começaram a almoçar, jantar e tomar café. Em 2024, alcançamos a menor proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar grave da nossa história”, disse.

    Segundo Lula, o país também registrou a menor proporção de domicílios com crianças menores de 5 anos em insegurança alimentar grave desde 2024. “Estamos interrompendo o ciclo de exclusão”, completou.

    “Um país soberano é um país capaz de alimentar o seu povo. A fome é inimiga da democracia e do pleno exercício da cidadania. É possível superá-la por meio de ação governamental, mas governos só podem agir se dispuserem de meios”, avaliou.

    Apelo por mudanças na arquitetura financeira internacional

    Para o presidente, ampliar o financiamento ao desenvolvimento, reduzir custos de empréstimos, aperfeiçoar sistemas tributários e aliviar dívidas de países mais pobres são medidas fundamentais.

    “Não basta produzir. É preciso distribuir. Poucas iniciativas contribuiriam tanto para a segurança alimentar quanto uma reforma da arquitetura financeira internacional, que direcionasse recursos para quem mais precisa”, afirmou.

    Lula destacou ainda que a América Latina e o Caribe vivem o paradoxo de serem o “celeiro do mundo” enquanto convivem com a fome. Já a África, observou, apresenta crescimento econômico acompanhado de aumento preocupante da insegurança alimentar.

     

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